

As Ilhas Cagarras, no Rio, vão ganhar um espaço especial para quem sonha em observar de perto as majestosas baleias-jubarte. O projeto, desenvolvido pelo ICMBio, está finalizando uma trilha na Ilha Comprida, que vai oferecer uma vista privilegiada tanto para o oceano quanto para as praias de Ipanema e Leblon, além de permitir acompanhar a passagem de orcas, golfinhos e, claro, das jubartes.
Batizado informalmente de “Camarote da Baleia”, o espaço promete transformar a temporada de migração desses gigantes marinhos em um verdadeiro espetáculo da natureza, com direito a saltos, batidas de cauda e vocalizações impressionantes.
“A ideia é que seja um modelo autoguiado, onde o visitante possa, por exemplo, contratar um guia na colônia Z13 (Copacabana) ou escolher uma das empresas que já operam o turismo e são credenciadas pelo Mona Cagarras. A partir daí, a pessoa chega até a Ilha Comprida, faz o desembarque e se conecta com toda a sinalização que já estamos instalando”, explica Breno Herrera, gerente Sudeste do ICMBio.
A trilha passa por trechos do costão rochoso e pequenas áreas de Mata Atlântica insular, oferecendo não só o espetáculo das baleias, mas também paisagens deslumbrantes do litoral carioca.
As baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) são conhecidas pelas longas nadadeiras, seus saltos fora d’água e as famosas “canções” que emitem no fundo do mar. Esses mamíferos gigantes chegam a medir até 16 metros e pesar cerca de 40 toneladas.
Todo ano, entre junho e agosto, elas migram das águas geladas da Antártida para os mares quentes do Brasil, especialmente a região de Abrolhos, entre Espírito Santo e Bahia, onde se reproduzem e cuidam dos filhotes. O litoral do Rio está justamente na rota dessa viagem — e, por isso, não é raro vê-las próximas à costa nessa época.
Depois de décadas ameaçadas pela caça predatória, as jubartes vêm registrando uma recuperação impressionante. Dados mostram que a população subiu de cerca de mil indivíduos, em 1988, para aproximadamente 30 mil atualmente, graças à moratória internacional que proibiu a caça comercial de baleias e aos esforços de conservação.
Além da trilha nas Ilhas Cagarras, o aumento dos avistamentos no litoral fluminense tem impulsionado o ecoturismo e projetos de preservação marinha, reforçando a conexão entre natureza, educação ambiental e desenvolvimento sustentável no Rio.
Fonte: diariodorio.com




