


Fechado no fim de 2024 após mais de um século de funcionamento, o tradicional Colégio São Paulo, no Arpoador, virou pauta de um impasse milionário. O terreno de três mil metros quadrados de frente para o mar, um dos mais valiosos da Zona Sul, está no radar de grandes investidores e, nos bastidores, já havia sido prometido a um grupo educacional: o SEB, dono da Escola Carolina Patrício, referência de ensino bilíngue no Rio. O acordo, antecipado pelo DIÁRIO DO RIO no início de julho, envolvia a negociação do imóvel junto à Congregação das Angélicas de São Paulo, que mantém o prédio da antiga escola.
O que ninguém esperava é que a transação empacasse após a publicação do decreto que transformou a região em Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) e Área de Especial Interesse Turístico (AEIT), suspendendo novos licenciamentos para usos que não estejam diretamente ligados à atividade turística.
Prefeitura trava projeto educacional e exige novo licenciamento
Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU), não será autorizada reforma no imóvel enquanto o decreto estiver em vigor (cerca de seis meses). A pasta alega ainda que alvarás de funcionamento são vinculados ao CNPJ e ao endereço original, não podendo ser transferidos automaticamente a terceiros, o que exigiria um novo pedido de licenciamento.
O vereador Pedro Duarte (Novo), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara, discorda. Para ele, se o colégio não solicitou a revogação do alvará, ele continua válido. O parlamentar cita o caso do Bar Urca, que opera até hoje com uma licença concedida antes das mudanças na legislação do bairro.
“Trata-se de uma autorização concedida que não precisa ser renovada”, afirmou. “O que a Prefeitura está fazendo é tentar proibir, por decreto, o que a lei permite. O Plano Diretor prevê uso residencial e comercial. Educação é uma atividade comercial. Cabe à iniciativa privada decidir onde investir.”

R$ 250 milhões e uma capela tombada
Além das restrições legais, pesa na equação a existência de uma capela tombada dentro do terreno, o que limita qualquer demolição ou retrofit completo. O imóvel já foi sondado por outros grupos, como a rede Rubaiyat, que considerou ali um hotel com 110 quartos, piscina e restaurante. A proposta também não avançou. O enorme terreno, em localização ‘premium’ (na linguagem do mercado), é avaliado em cerca de R$ 250 milhões (o metro quadrado por ali pode chegar em alguns casos a R$ 45 mil).
O terreno ocupa um dos 11 quarteirões incluídos na nova classificação urbanística — todos à esquerda da Rainha Elizabeth, no sentido Ipanema. O trecho perdeu parte de sua rede hoteleira para o mercado imobiliário de luxo. A Prefeitura quer reverter essa tendência, priorizando hotéis e empreendimentos voltados ao turismo.
O secretário da SMDU, Gustavo Guerrante, defende a política: “Nos interessa mais uma rede de hotéis do que um prédio residencial”.
Fonte: diariodorio.com




