segunda-feira, abril 20, 2026
HomeCidadeNova regra urbanística do Arpoador trava negociação do antigo Colégio São Paulo...

Nova regra urbanística do Arpoador trava negociação do antigo Colégio São Paulo com grupo educacional

Date:

Publicidade

spot_img

Relacionados

spot_imgspot_img
Nova regra urbanística do Arpoador trava negociação do antigo Colégio São Paulo com grupo educacional

Foto: Reprodução/Site Colégio São Paulo

Fechado no fim de 2024 após mais de um século de funcionamento, o tradicional Colégio São Paulo, no Arpoador, virou pauta de um impasse milionário. O terreno de três mil metros quadrados de frente para o mar, um dos mais valiosos da Zona Sul, está no radar de grandes investidores e, nos bastidores, já havia sido prometido a um grupo educacional: o SEB, dono da Escola Carolina Patrício, referência de ensino bilíngue no Rio. O acordo, antecipado pelo DIÁRIO DO RIO no início de julho, envolvia a negociação do imóvel junto à Congregação das Angélicas de São Paulo, que mantém o prédio da antiga escola.

O que ninguém esperava é que a transação empacasse após a publicação do decreto que transformou a região em Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) e Área de Especial Interesse Turístico (AEIT), suspendendo novos licenciamentos para usos que não estejam diretamente ligados à atividade turística.

Prefeitura trava projeto educacional e exige novo licenciamento

Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU), não será autorizada reforma no imóvel enquanto o decreto estiver em vigor (cerca de seis meses). A pasta alega ainda que alvarás de funcionamento são vinculados ao CNPJ e ao endereço original, não podendo ser transferidos automaticamente a terceiros, o que exigiria um novo pedido de licenciamento.

O vereador Pedro Duarte (Novo), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara, discorda. Para ele, se o colégio não solicitou a revogação do alvará, ele continua válido. O parlamentar cita o caso do Bar Urca, que opera até hoje com uma licença concedida antes das mudanças na legislação do bairro.

Trata-se de uma autorização concedida que não precisa ser renovada”, afirmou. “O que a Prefeitura está fazendo é tentar proibir, por decreto, o que a lei permite. O Plano Diretor prevê uso residencial e comercial. Educação é uma atividade comercial. Cabe à iniciativa privada decidir onde investir.”

Ao todo, 11 quarteirões estão envolvidos no decreto

R$ 250 milhões e uma capela tombada

Além das restrições legais, pesa na equação a existência de uma capela tombada dentro do terreno, o que limita qualquer demolição ou retrofit completo. O imóvel já foi sondado por outros grupos, como a rede Rubaiyat, que considerou ali um hotel com 110 quartos, piscina e restaurante. A proposta também não avançou. O enorme terreno, em localização ‘premium’ (na linguagem do mercado), é avaliado em cerca de R$ 250 milhões (o metro quadrado por ali pode chegar em alguns casos a R$ 45 mil).

O terreno ocupa um dos 11 quarteirões incluídos na nova classificação urbanística — todos à esquerda da Rainha Elizabeth, no sentido Ipanema. O trecho perdeu parte de sua rede hoteleira para o mercado imobiliário de luxo. A Prefeitura quer reverter essa tendência, priorizando hotéis e empreendimentos voltados ao turismo.

O secretário da SMDU, Gustavo Guerrante, defende a política: “Nos interessa mais uma rede de hotéis do que um prédio residencial”.

Receba notícias no WhatsApp e e-mail

Fonte: diariodorio.com