domingo, maio 3, 2026
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Entenda as apostas e ambições de Lula nas relações com a Índia

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chefia uma missão internacional à Índia, entre os dias 19 e 21 de fevereiro. Na bagagem rumo ao décimo maior importador brasileiro vão expectativas de ampliar o escopo de produtos negociados, mas também a intenção de parcerias em diferentes áreas e a redução da dependência econômica dos líderes globais Estados Unidos e China.

Auxiliares de Lula comentam que o presidente quer uma missão “bem grande”. Para a tarefa, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) abriu uma chamada para o credenciamento de até 200 empresários que possam integrar o grupo. Até sexta, 150 já haviam realizado a inscrição.


Diálogos com a Índia

  • Em meados de outubro de 2025, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDic), Geraldo Alckmin, e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reuniram-se com o ministro da Defesa indiano, Rajnath Singh, e trataram de parceria a respeito de soberania e Defesa.
  • A reunião de Alckmin com Rajnath ocorreu durante uma visita do vice de Lula ao país, que também tratou sobre ampliar o escopo do Acordo de Preferências Tarifárias Mercosul-Índia, em vigor desde 2009.
  • Lula conversou, por telefone, na última sexta-feira (23/1), com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi (foto em destaque). As duas lideranças discutiram, entre outros temas, sobre a necessidade de uma reforma abrangente das Nações Unidas e do Conselho de Segurança da mesma.

O foco do Brasil em se aproximar da Índia também fica claro na inauguração de um escritório de negócios no país. No mundo existem apenas cerca de 20 deles com a bandeira brasileira. O governo Lula pretende ampliar e diversificar a lista de produtos exportados para o parceiro. Em 2025, só o petróleo respondeu por cerca de 30% de tudo que foi para o país asiático.

Em 2025, a Índia foi o décimo país que mais comprou produtos brasileiros, somando US$ 6,9 bilhões. O parceiro é o sexto país onde o Brasil mais compra. No ano passado esse montante foi de US$ 8,4 bilhões, o que resultou em um déficit de US$ 1,5 bilhão. Tanto as exportações quanto as importações cresceram no ano passado, 30,2% e 21,9%, respectivamente.

Entenda as apostas e ambições de Lula nas relações com a Índia

Mais objetivos

Economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carla Beni avalia como importante a investida brasileira no país que ostenta o título de maior população mundial, com 1,46 bilhão de habitantes. Ela explica que a parceria tem vários motivos para se concretizar pelo lado brasileiro.

Entenda as apostas e ambições de Lula nas relações com a Índia

“O grande objetivo é que o Brasil quer ampliar as parcerias para diminuir a dependência dos parceiros tradicionais, China e Estados Unidos. Ainda mais Estados Unidos, com a questão do governo de Donald Trump”, contextualiza a economista ao pontuar que o Lula também trabalha por uma cooperação tecnológica entre as duas nações.

“Há um interesse muito grande em biocombustível, terras raras e a questão da integração do Pix com o sistema indiano [de transferências]. A ideia é ampliar a inclusão tecnológica com essas soluções de inclusão digital. Então, esse encontro é realmente fundamental”, acrescenta Beni, que também ressalta a tentativa brasileira de fortalecer as relações dos dois dentro do bloco Brics.

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em cerimônia oficial no Palácio da Alvorada, em 8 de julho de 2025
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em cerimônia oficial no Palácio da Alvorada, em 8 de julho de 2025

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o primeiro-ministro da República da Índia, Narendra Modi. Rio de Janeiro (RJ)
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o primeiro-ministro da República da Índia, Narendra Modi. Rio de Janeiro (RJ)

Ricardo Stuckert/Presidência da República

Primeiro-Ministro da República da Índia, Narendra Modi
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Primeiro-Ministro da República da Índia, Narendra Modi

Paulo Mumia

Lula e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi
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Lula e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi

Ricardo Stuckert/PR

O Brasil também vai oferecer uma cooperação para a agricultura familiar na Índia. Por este motivo, um representante da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai compor a comitiva.

Preparação

Com o objetivo de “chegar chegando”, Brasil alugou, por dois dias, um auditório com capacidade para cerca de 500 pessoas durante a visita de Lula ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Na programação, está previsto que Lula fale a empresários indianos com o objetivo de atrair investimentos para o território nacional.

“O presidente vai ter uma parte da agenda com os maiores investidores indianos. Eles vão anunciar os investimentos nos próximos 4, 5 anos. Nós estamos tratando disso pessoalmente”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, na última quinta.

A viagem de Lula à Índia ocorre também no contexto da iniciativa do Planalto de reafirmar, de olho nas eleições, a imagem do petista como uma figura de grande relevância global e capaz de defender os interesses nacionais diante de outros países.

Essa premissa encontra eco em entrevistas recentes de auxiliares do presidente, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o próprio Viana. Ambos sustentam que o Brasil recuperou o protagonismo internacional sob a presidência de Lula. “O Brasil voltou com muita força No cenário internacional”, sustenta Viana.

Fonte: www.metropoles.com