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Jogos de Inverno na Itália: os atletas brasileiros com chances de subir ao pódio

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Jogos de Inverno na Itália: os atletas brasileiros com chances de subir ao pódio

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País tropical, bonito por natureza, o Brasil desembarcou na Itália para os Jogos de Inverno com a maior delegação de sua história. Até o dia 3, catorze atletas confirmados, mais um reserva, representarão as cores nacionais nas pistas, superando o antigo recorde de treze competidores estabelecido em Sochi, em 2014. Distribuídos por cinco modalidades certamente bem menos conhecidas por aqui do que o glossário do futebol — bobsled, esqui alpino, esqui cross-country, skeleton e snowboard —, os atletas levam o verde-amarelo para os cenários congelados de Bormio, Livigno, Tesero e Cortina d’Ampezzo. Mas a novidade desta edição vai além dos números: pela primeira vez, há chances concretas de um brasileiro conquistar um pódio sob termômetros para lá de negativos.

O grande nome desse improvável fenômeno é Lucas Pinheiro Braathen, esquiador alpino nascido na Noruega (portanto afeito à vida na neve) e filho de mãe brasileira. Aos 25 anos, Lucas representa uma virada de página na saga dos esportes de inverno do país. Campeão da Copa do Mundo pelo time norueguês, ele protagonizou um dos capítulos mais dramáticos do esqui recente ao anunciar sua aposentadoria precoce em plena ascensão, após desavenças com a federação norueguesa. “Eu sonhava em me tornar o melhor do mundo, mas queria ser o melhor em um esporte que me permitisse ser eu mesmo”, declarou à época, magoado. Poucos meses depois, anunciou seu retorno às pistas, desta vez vestindo o uniforme brasileiro. “Eu decidi voltar porque achei um caminho para fazer isso do meu jeito”, afirmou. Com desfiles de moda no currículo e estilo descolado, Lucas chega para seus primeiros Jogos como a maior esperança de cravar o feito de ser o primeiro atleta sul-americano no pódio olímpico de inverno. Sua performance recente dá gás às expectativas: em novembro de 2025, ganhou a primeira medalha dourada para o Brasil na etapa de Levi, na Finlândia. Ele competirá nas provas técnicas de slalom e slalom gigante.

Além de Lucas, outra que está no páreo por medalha é Nicole Silveira, a gaúcha de Rio Grande que compete no skeleton, modalidade em que o atleta desce em alta velocidade sobre um trenó. Nicole, que treina na Alemanha, acumula resultados expressivos, incluindo bronzes em etapas da Copa do Mundo e um quarto lugar no Mundial. Enfermeira de formação, aos 31 anos é casada com a belga Kim Meylemans, também atleta de skeleton. Juntas, elas formam o “Time BB”, compartilhando vida pessoal e profissional em uma parceria que tem consolidado Nicole como forte candidata a trazer o primeiro metal olímpico de inverno para o Brasil. Também no rol dos brasileiros que dão show na neve, o snowboarder Pat Bur­ge­ner, 31 anos, que trocou a Suíça pelo Brasil (ele tem a dupla cidadania), desponta como nome de peso na categoria half­pipe, tendo alcançado finais e subido a pódios inéditos para o país em Copas do Mundo.

Enquanto para os novatos olímpicos o sabor é de estreia, a experiência se faz presente na figura de Edson Bindilatti. Aos 46 anos, o baiano, filho de uma seringueira, é o veterano da delegação. Ele chega para sua sexta edição dos Jogos como piloto do time de bobs­led, modalidade conhecida como “a Fórmula 1 do gelo”, em que quartetos ou duplas competem a bordo de um trenó a mais de 140 quilômetros por hora. O Brasil garantiu a vaga após ficar com o bronze no Pan-Americano e manter consistência em competições internacionais, buscando agora superar o 13º lugar no Mundial.

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A boa performance de jovens figuras como Lucas e Nicole, somada à persistência de veteranos como Edson, tem atraído curiosos olhares do mundo todo. “O interesse brasileiro nos esportes de inverno aumentou tremendamente em razão deles”, explica Anders Pettersson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve. Apesar de manter a cautela, Pettersson garante que a probabilidade de quebrar o recorde de melhor resultado na competição é grande, com possibilidade de superar o histórico nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross, obtido há duas décadas. Que esses atletas com vasta vivência nas pistas, a maioria desde muito cedo, deslizem rumo ao pódio. Medo de frio eles não têm.

Publicado em VEJA de 6 de fevereiro de 2026, edição nº 2981

Fonte: veja.abril.com.br