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OPINIÃO. R$ 77 mil por mês: a verdadeira luta de classes travada em Brasília 

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R$ 77 mil por mês.

Carta do papai Noel

É quanto um consultor do Senado pode passar a receber após o Congresso aprovar um reajuste de até 76% para os servidores do Senado e da Câmara.

No topo da carreira, o salário-base do consultor legislativo vai de R$ 13,7 mil para R$ 24,1 mil.

Mas o número que importa não é esse.

O projeto estende aos servidores das duas Casas um benefício que já vinha sendo espalhado por Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas: uma licença automática, embutida na estrutura da carreira.

Funciona assim: a cada três dias trabalhados, um dia de folga.

O limite é de até dez dias de descanso por mês. Se a folga não for usada, vira dinheiro.

Na prática, criou-se um mês de 40 dias pagos.

Além disso, foi instituído um bônus de produtividade.

Resultado: a remuneração total no topo da Câmara pode chegar a R$ 77 mil por mês — 66% acima do teto constitucional, hoje em R$ 46 mil. Como boa parte vem na forma de benefício, não de salário, a trava do teto vira detalhe.

E a festa não é só para quem já está lá.

O pacote também prevê a criação de 17 mil novos cargos públicos, com um impacto fiscal estimado em R$ 4,3 bilhões já em 2026.

A discussão não é ser contra o aumento. A discussão é quem paga a conta.

Hoje, no Brasil, o servidor público ganha, em média, 72% a mais que um trabalhador do setor privado.

“Mas eles são mais escolarizados,” costuma ser o argumento.

Não fecha. Segundo o Banco Mundial, comparando pessoas com mesma escolaridade e funções semelhantes, o prêmio salarial do setor público no Brasil é de 96%. A média internacional é 21%. Entre 53 países analisados, o Brasil lidera o ranking.

O fenômeno não é recente.

O “Atlas do Estado Brasileiro”, do IPEA, mostra que entre 1992 e 2022 o salário médio no setor público cresceu 73,5%, enquanto no setor privado o avanço foi de 5%.

Ou seja: o sistema não está quebrado. Ele funciona – e muito bem – para quem está dentro.

O debate que domina Brasília é “ricos contra pobres”, “patrão contra empregado”. Mas a divisão real é outra: quem banca o Estado e quem é bancado por ele.

O resto é narrativa. E a conta continua chegando.

Leonardo Siqueira é deputado estadual pelo Partido Novo em São Paulo.




Leonardo Siqueira




Fonte: braziljournal.com