
Chegou o grande dia para o Brasil: o esquiador Lucas Pinheiro Braathen, grande esperança de conquistar a primeira medalha do país nos Jogos Olímpicos de Inverno, disputa o slalom gigante em Milão-Cortina neste sábado, 14, na pista Stelvio, em Bormio.
Será a primeira das duas provas na Itália para Lucas, nascido em Oslo e filho de mãe brasileira, que representa o Brasil desde 2024. A outra será o slalom na segunda, 16, no mesmo local.
Lucas, de 25 anos, chega aos Jogos após uma temporada muito consistente, na qual se tornou presença constante nas primeiras posições. Ele é o atual número 2 no slalom, depois de fazer história para o Brasil ao vencer a etapa de Levi, na Finlândia, em novembro do ano passado, garantindo assim a primeira vitória do país em uma etapa da Copa do Mundo de esqui alpino.
Ruptura com a Noruega
Mas por queum atleta do esqui, uma modalidade esportiva dominada pelos noruegueses, decidiu competir pelo Brasil?
O ponto de partida foi um conflito com a poderosa Federação Norueguesa de Esqui, motivado principalmente por uma questão de direitos de imagem.
“Para transmitir minha mensagem e expressar meu verdadeiro propósito, eu precisava de liberdade. Agora eu sinto que a tenho, em cada competição. Tenho essa liberdade que me permite ter um desempenho melhor, com o orgulho e a alegria que este esporte me traz”, explicou a atleta em uma entrevista coletiva no início dos Jogos.
Em 2023, seu anúncio de que iria se aposentar surpreendeu a todos. E alguns meses depois ele retornou, agora vestindo o verde e amarelo do país onde passou parte de sua infância após o divórcio de seus pais, trazendo um toque incomum de calor e ar tropical ao esqui.
Fenômeno midiático
Além dos bons resultados da temporada, a popularidade de Lucas nos esportes de inverno é muito alta devido ao seu carisma. No circuito de esqui alpino, é comum vê-lo com sua faceta de ‘showman’, DJ, participando de eventos e desencadeando uma inesperada “Pinheiromania” que traz a ele fãs ilustres.
O ex-jogador alemão Bastian Schweinsteiger, campeão mundial em 2014 justamente no Brasil, posou recentemente com orgulho com uma camisa autografada por Lucas durante a descida de Kitzbühel (Áustria).
Na publicidade, ele lançou sua própria linha de produtos para cuidados faciais e é o rosto de marcas de luxo como a Moncler, que o vestiu na última sexta-feira na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, com Lucas como o porta-bandeira do Brasil.
A marca também escolheu o brasileiro para uma campanha voltada para os Jogos Olímpicos que agora estampa seu rosto em prédios emblemáticos ao redor do mundo, como um banner gigante na Ópera Garnier, em Paris.
Chance de fazer história
Nos Jogos Olímpicos, quando competia pela Noruega, ele abandonou as provas de slalom gigante e slalom na edição anterior, em Pequim-2022. Ele também não possui medalhas no Campeonato Mundial de esqui alpino.
Mas suas conquistas no circuito 2025-2026 aumentaram as expectativas. Em duas temporadas representando o Brasil, conquistou dez medalhas em etapas de Copa do Mundo no slalom e no slalom gigante, e chega sob os holofotes para competir em Milão-Cortina.

“Sinceramente, a pressão é grande. Eu represento mais de 200 milhões de brasileiros. Sou um atleta que tem a oportunidade de ganhar uma medalha. É uma responsabilidade que carrego comigo todos os dias”, admitiu Lucas na semana passada.
O melhor resultado do Brasil nas Olimpíadas de Inverno é o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross nos Jogos de Turim-2006, e a América Latina nunca esteve perto de um pódio olímpico de inverno, com a única exceção do quarto e quinto lugares conquistados pelas equipes argentinas no bobsled em St. Moritz-1928, quando a modalidade ainda estava em seus primórdios e não era, nem de longe, o que é hoje.
(Com AFP)
Fonte: veja.abril.com.br




