quarta-feira, abril 22, 2026
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Brasil discute com China inspeção de cargas de soja

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Soja.
Divulgação.
Uma missão do Ministério da Agricultura do Brasil iniciou nesta segunda-feira (23) negociações com autoridades da China para discutir regras de inspeção fitossanitária da soja brasileira, segundo informações confirmadas por autoridades.
A viagem ocorre após uma série de entraves recentes nas exportações. Nos últimos dias, cerca de 20 navios brasileiros foram devolvidos pelos chineses por conterem ervas daninhas consideradas proibidas no país asiático.
Diante do impasse, autoridades chinesas concordaram em flexibilizar parte das exigências sanitárias.
Em documento da Secretaria de Defesa Agropecuária, o governo brasileiro informou que não será mais adotado o critério de tolerância zero para a presença dessas impurezas nas cargas.
Ainda assim, não há definição de um limite numérico para a tolerância, que deve ser discutido em novas rodadas de negociação entre os dois países. Até lá, a liberação dos carregamentos seguirá baseada em análise de risco.
O endurecimento das exigências havia provocado dificuldades para exportadores brasileiros, que relataram problemas na emissão de certificados fitossanitários — documento essencial para o envio da soja ao exterior.
Na semana passada, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil não flexibilizou a fiscalização dos embarques destinados à China, contrariando reportagens publicadas na imprensa.
Procurado nesta segunda-feira, o ministério informou que as conversas com os chineses estão em estágio inicial e que ainda não há decisões definitivas.
As negociações devem continuar ao longo da semana, com a participação dos secretários de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, e de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua.
A China é o principal destino da soja brasileira e responde por cerca de 80% das exportações do produto. Apesar dos episódios recentes, analistas avaliam que o impacto tende a ser pontual e não deve comprometer o volume total embarcado ao longo do ano.
O que aconteceu
Nos últimos dias, a China devolveu cargas de soja enviadas pelo Brasil que descumpriram regras sanitárias do país, enquanto a Cargill – uma das maiores exportadoras de grãos – cancelou embarques para o parceiro asiático no dia 12 deste mês.
Principal destino da soja brasileira, a China responde por cerca de 80% das exportações do produto.
Cerca de 20 navios brasileiros foram devolvidos pela China recentemente por apresentarem grãos de soja misturados a ervas daninhas proibidas no país asiático. Diante da situação, representantes do Ministério da Agricultura devem viajar à China na próxima semana para tratar do tema.
Na semana passada, Fávaro disse em coletiva de imprensa que a qualidade da soja brasileira “é inquestionável”, mas que a preocupação dos chineses é legítima.
Ele afirmou ainda que vai propor à China a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio de soja.
Apesar de o caso ter ganhado repercussão nos últimos dias, a situação não é nova, afirma Raphael Bulascoschi, analista do mercado de soja da StoneX Brasil.
“O problema começou no final do ano passado, quando o GACC, órgão responsável pela fiscalização na China, informou ao governo brasileiro que carregamentos estavam chegando com excesso de sementes proibidas e materiais estranhos”, diz Bulascoschi.
“Recentemente, a China voltou a cobrar o Ministério da Agricultura de forma mais dura, o que levou o governo a adotar uma ‘postura de tolerância zero’ para evitar tensões diplomáticas e a emitir certificados fitossanitários com mais rigor”, acrescenta.
*Reportagem em atualização

Fonte: g1.globo.com