
Um assunto que ganhou repercussão nacional nesta semana e chegou a ser o mais comentado no X foi a campanha da nova camisa da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026. Um dos pontos que gerarem debates, pro bem e pro mal, foi a presença da frase “Vai, Brasa”. Enquanto alguns torcedores e formadores de opinião gostaram por ser uma expressão já utilizada no país, outros trouxeram à tona que o termo não é utilizado para se referir à seleção.
A designer da seleção brasileira, Rachel Denti, justificou a escolha. “É o Brasil, mas também é Brasa quando está jogando, né? Pra gente é muito fácil de entender, você olha e você sabe o que Vai, Brasa significa. Então, a gente trouxe esse nome, esse apelido carinhoso que a gente dá (…) Tem escrito Vai, Brasa (na parte interna da gola), que é uma coisa que a gente escuta nos estádios, escuta na rua, e agora os jogadores vão poder usar no corpo, carregando com eles”, explicou.
Ainda segundo ela, a ideia foi a ideia foi resgatar o Brasil em sua essência em sua forma mais pura, tanto nas cores quanto nos elementos culturais. O tradicional amarelo foi mantido, mas com uma tonalidade inspirada no “canarinho”, além da adição de nuances como verde-água e tons mais vibrantes para modernizar o visual. Para especialistas em marketing esportivo, a nova campanha da Nike e da seleção brasileira vai de encontro à conexão com um público mais jovem e de um reposicionamento que visa também a outros mercados e redes sociais.
“Quando olhamos para essa nova camisa e para o conceito do ‘Vai, Brasa’, fica claro que existe uma tentativa de reposicionar a comunicação da Seleção para algo mais jovem, digital e conectado com linguagem de torcida e redes sociais. Ao mesmo tempo, há um cuidado em manter elementos históricos no design, o que mostra esse equilíbrio entre tradição e renovação. O desafio é que o slogan e a campanha precisam soar orgânicos para o torcedor, quando parece forçado, a rejeição é imediata. Em termos de marketing, a ideia é boa, mas o sucesso depende da identificação genuína do público “, explica Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo.
Para Thales Rangel Mafia, Gerente de Marketing da Multimarcas Consórcios, a campanha ‘Vai, Brasa’ busca rejuvenescer a marca da seleção, mas a legitimidade é seu maior desafio. “O público jovem possui um radar de autenticidade apurado e costuma rejeitar narrativas que pareçam artificiais, embora goste da disrupção. Por sua vez, um público mais velho tende a preferir o que lhe é tradicional, como forma de acessar sua memória afetiva e resgatar os tempos de glórias da seleção. Embora o design da camisa equilibre elementos tradicionais e modernos, o slogan gerou um grande estranhamento inicial para ambos os públicos”, diz.
Fonte: veja.abril.com.br




