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Alterações na respiração podem ajudar a explicar hipertensão

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Alterações na forma de respirar podem estar diretamente ligadas ao aumento da pressão arterial. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificou um mecanismo no cérebro que ajuda a entender por que parte dos pacientes continua com hipertensão mesmo fazendo uso de medicamentos.

Publicada na revista científica Circulation Research em 17 de dezembro de 2025, a pesquisa indica que mudanças específicas no padrão respiratório, especialmente durante a expiração, podem ativar processos que elevam a pressão arterial.

Ligação entre respiração e pressão

Os cientistas observaram que contrações mais intensas dos músculos abdominais durante a respiração, um processo chamado de expiração ativa, podem desencadear respostas no sistema nervoso que favorecem o aumento da pressão.

Nos experimentos, feitos em ratos, foi identificado um grupo de neurônios localizado no tronco encefálico que participa desse processo. A região atua como um elo entre o controle da respiração e a regulação dos vasos sanguíneos.

Quando esses neurônios são ativados, há um aumento da atividade do sistema nervoso simpático (SNS), responsável por preparar o corpo para situações de alerta. Como consequência, os vasos sanguíneos se contraem e a pressão arterial sobe.

Os pesquisadores também verificaram o efeito oposto. Ao inibir essa atividade neural, a pressão arterial voltou a níveis considerados normais em modelos de hipertensão associada à falta de oxigenação, condição comum em pessoas com apneia do sono.

Segundo o pesquisador Davi José de Almeida Moraes, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, o resultado chamou atenção pela conexão entre funções que costumavam ser analisadas separadamente.

“Ficamos surpresos com esse resultado de que os neurônios da expiração ativa têm a capacidade de impactar a função cardiovascular”, afirma em comunicado.

Ele explica que essa relação ajuda a entender alguns casos de hipertensão persistente. “Isso tem implicações em condições patológicas, como a hipertensão arterial”, diz.

A pressão alta, também conhecida como hipertensão, é uma doença que ataca o coração, os vasos sanguíneos, os olhos, o cérebro e pode afetar drasticamente os rins. É causada quando a pressão fica frequentemente acima de 140 por 90 mmHg
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A pressão alta, também conhecida como hipertensão, é uma doença que ataca o coração, os vasos sanguíneos, os olhos, o cérebro e pode afetar drasticamente os rins. É causada quando a pressão fica frequentemente acima de 140 por 90 mmHg

Gizmo/ Getty Images

Fora a questão genética, fatores como consumo de álcool, cigarro, sal em grande quantidade, obesidade, colesterol alto, diabetes, idade avançada, estresse e sedentarismo também podem influenciar nos níveis de pressão arterial
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Peter Dazeley/ Getty Images

Tontura, visão embaçada, dor de cabeça ou dor no pescoço são os principais sintomas relacionados à doença. Geralmente, esses incômodos aparecem quando a pressão aumenta rapidamente
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Colin Hawkins/ Getty Images

Outros sintomas comuns em quem tem pressão alta são: zumbido no ouvido, visão dupla ou embaçada, dor na nuca e na cabeça, sonolência, palpitações, enjoo e pequenos pontos de sangue nos olhos
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Grace Cary/ Getty Images

A pressão alta é responsável por problemas graves de saúde como AVC, insuficiência cardíaca e perda da visão. Ao desconfiar que se tem a doença, o indicado é aferir a pressão sanguínea com um aparelho próprio, em casa ou na farmácia
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Peter M. Fisher/ Getty Images

Apesar da gravidade, a pressão alta pode ser controlada. Hábitos saudáveis como a prática de exercícios físicos, alimentação saudável, evitar situações que possam causar estresse, diminuir o consumo de bebidas alcoólicas, manter o peso e o colesterol sob controle e evitar drogas que aumentem a pressão arterial (como cafeína, antidepressivos e corticoides) podem ajudar no controle da pressão
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Apesar da gravidade, a pressão alta pode ser controlada. Hábitos saudáveis como a prática de exercícios físicos, alimentação saudável, evitar situações que possam causar estresse, diminuir o consumo de bebidas alcoólicas, manter o peso e o colesterol sob controle e evitar drogas que aumentem a pressão arterial (como cafeína, antidepressivos e corticoides) podem ajudar no controle da pressão

Getty Images

Ao apresentar quaisquer sintomas, um cardiologista deve ser procurado. Por ser uma doença que não tem cura e que pode causar problemas cardiovasculares, o diagnóstico precoce diminui consideravelmente quadro mais graves e irreversíveis
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Ao apresentar quaisquer sintomas, um cardiologista deve ser procurado. Por ser uma doença que não tem cura e que pode causar problemas cardiovasculares, o diagnóstico precoce diminui consideravelmente quadro mais graves e irreversíveis

bluecinema/ Getty Images

Somente um especialista é capaz de diagnosticar casos de hipertensão e indicar o tratamento necessário para diminuir sintomas e consequências da doença. Geralmente, a utilização de remédios e repouso são indicados
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Somente um especialista é capaz de diagnosticar casos de hipertensão e indicar o tratamento necessário para diminuir sintomas e consequências da doença. Geralmente, a utilização de remédios e repouso são indicados

A. Martin UW Photography/ Getty Images

Contudo, caso a pressão se mantenha superior ao indicado, ou seja, 140/90 mmHg após uma hora, o paciente deve procurar imediatamente um hospital para tomar anti-hipertensivos intravenosos
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Contudo, caso a pressão se mantenha superior ao indicado, ou seja, 140/90 mmHg após uma hora, o paciente deve procurar imediatamente um hospital para tomar anti-hipertensivos intravenosos

Luis Alvarez/ Getty Images

Possíveis caminhos para tratamento

A partir dessa descoberta, os cientistas passaram a investigar formas de interferir nesse mecanismo sem precisar agir diretamente no cérebro. A proposta envolve atuar sobre sensores de oxigênio presentes no organismo, que influenciam essa rede de neurônios.

Esses sensores utilizam substâncias como o ATP, que além de fornecer energia para as células, também funciona como mensageiro no sistema nervoso. Ao modular essa sinalização, seria possível reduzir a ativação excessiva dos neurônios associados ao aumento da pressão.

Os resultados ajudam a esclarecer por que uma parcela significativa de pacientes não conseguem controlar a hipertensão apenas com medicamentos tradicionais. Mesmo com tratamento, cerca de 40% das pessoas continuam com níveis elevados de pressão.

A hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, além de estar associada a problemas renais. No Brasil, a condição atinge cerca de 30% dos adultos, segundo dados do Ministério da Saúde.

Apesar de ser uma doença conhecida e tratável, o controle ainda é um desafio. A descoberta reforça que o problema pode ter múltiplas causas e que fatores ligados ao funcionamento do cérebro e da respiração também desempenham um papel importante.

Os pesquisadores destacam que os resultados ainda são iniciais e foram obtidos em modelos experimentais. Mesmo assim, oferecem uma nova perspectiva sobre a hipertensão e indicam caminhos que podem ser explorados em estudos futuros com humanos.

Fonte: www.metropoles.com