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Um grupo de 125 instituições de direitos humanos e torcedores nos Estados Unidos publicou uma carta de aviso para as pessoas que viajarão ao país para acompanhar a Copa do Mundo entre 11 de junho e 19 de julho. O documento divulgado nesta quinta, 23, recomenda aos viajantes conhecerem seus direitos internacionais e alerta sobre os riscos da estadia na região no período do torneio, como “repressão imigratória violenta” e “riscos sérios” a grupos de minorias raciais e étnicas, e indivíduos LGBTQ+.
Segundo o documento, há uma “deterioração da situação dos direitos humanos nos Estados Unidos e na ausência de ações significativas e garantias concretas da FIFA, das cidades-sede ou do governo dos EUA.” O aviso se dirige a torcedores, jogadores, jornalistas e outros visitantes e recomenda ter um plano de contingência em caso de emergência.
No último ano, o presidente da Fifa, Gianni Infantino condecorou o presidente americano, Donald Trump, com o controverso Prêmio da Paz da Fifa. Acusado de violar o código da entida máxima do futebol e ignorando a carta do Human Rights Watch, um dos signatários da carta de aviso aos viajantes, Infantino segue firme na defesa da premiação ao chefe do executivo dos EUA.
11 cidades americanas receberão partidas da Copa do Mundo: Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas, Los Angeles, Miami, Nova York, Filadélfia, São Francisco e Seattle. Além dos EUA, México e Canadá compartilham a sede do mundial.
Entre os assinantes da carta, estão inclusos a ACLU, Anistia Internacional dos EUA, Human Rights Watch, NAACP, Southern Poverty Law Center e diversos grupos de torcedores (Supporters Groups) de cidades-sede de partidas.
Riscos e danos potenciais
Para entrar no país, o documento explica que há riscos de prisão, detenção e exportação de cidadãos americanos, mesmo aqueles com autorização prévia do governo americano. Pessoas transgênero e não-binárias são recomendadas a solicitar vistos utilizando o sexo atribuído no nascimento, pois o contrário pode resultador em aumento na fiscalização e recusa da entrada.
Há também o reforço das restrições totais definidas pelo governo Trump para pessoas dos seguintes países: Afeganistão, Burkina Faso, Birmânia (Myanmar), Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Laos, Líbia, Mali, Níger, Serra Leoa, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen, além de indivíduos com documentos de identidade emitidos pela Autoridade Palestina.
Também há restrições parciais para nacionais de Angola, Antígua e Barbuda, Benin, Burundi, Costa do Marfim, Cuba, Dominica, Gabão, Gâmbia, Malawi, Mauritânia, Nigéria, Senegal, Tanzânia, Togo, Tonga, Turcomenistão, Venezuela, Zâmbia e Zimbábue.
Entre os países com restrição, Haiti, Irã e Senegal estão classificados para a Copa do Mundo, e com jogos programados para acontecerem nos Estados Unidos.
Outros riscos e danos potenciais apontados pelo documento são: triagem invasiva de redes sociais e revistas de dispositivos eletrônicos na admissão de vistos; execução imigratória violenta e inconstitucional; supressão de fala, protestos e aumento da vigilância; risco sério de tratamento cruel, desumano ou degradante e morte em centros de detenção.
Recomendações
Em seguida, a carta apresenta uma série de recomendações aos viajantes aos Estados Unidos, como a consulta dos recursos de direito da Anistia Internacional e a instalação do aplicativo ReadyNow!, que notifica contatos de confiança em caso de detenção.
Também recomenda-se remover informações sensíveis e desligar o reconhecimento facial ou senhas por impressão digital dos dispositivos eletrônicos e alertar familiares e amigos sobre os planos de viagem, datas e destinos.
Para jornalistas, recomenda-se a consulta ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) ou Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Fonte: veja.abril.com.br




