sexta-feira, março 27, 2026
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França 2 x 1 Brasil: um momento melancólico do futebol brasileiro

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França 2 x 1 Brasil: um momento melancólico do futebol brasileiro

Era o Brasil que jogava de branco em Boston, na tarde desta quinta-feira? Não era, mas se pudéssemos voltar no tempo, uma certeza estaria posta no gramado: o toque de bola, a organização do meio de campo, um jogador forte e rápido com a camisa 10, ora caindo pela direita, ora subindo pela esquerda. Mas não, infeliz e tristemente. A seleção de braço era a da França – o Brasil, de azul, parecia uma equipe esforçada, com um ou outro lampejo. É verdade, começou bem o segundo-tempo, especialmente com Luís Henrique (que ainda briga por vaga) do lado direito. Vinicius Jr., no canto oposto, mal era sombra do atacante do Real Madrid. Os franceses jogaram com um a menos desde os 10 minutos do segundo tempo, quando ganhavam de 1 a 0 – fizeram o segundo, para Brenner diminuir, 2 a 1.

E agora, é o fim do mundo? Não é, embora soe assim para os torcedores brasileiros que, no estádio americano, evidentemente pediram por Neymar – e com Neymar, nada teria mudado, porque não há milagres. Não foi a pior das partidas, mas muito longe, muito mesmo, de ter sido razoável. Para muito além do jogo em si, e do que o Brasil poderá fazer contra a Croácia, na terça-feira, 31, fica uma constatação melancólica: não temos, e não mesmo, o melhor futebol do mundo. Aquela romântica imagem do peso da amarelinha – que, convenhamos, muitas vezes foi folclórica – se apagou. Não é o que parece, e a seleção pode até voltar da Copa do Mundo com o título, mas não convém ligar uma inexistente bola de cristal. O que vale, aqui e agora, e pede uma lágrima: o Brasil já não assusta os adversários, o elenco é fraco, e permanece a sensação de que a mágica venceu. E cabe o sonho impossível: que a turma de branco fosse do a pau-brasil, e a de azul, a da Gália. Não dá, realmente, para ver o amontoado de Carlo Ancelotti e sair gritando por aí: “É uma brasa, mora!”. O presidente da CBF, aliás, decidiu tirar do uniforme oficial a expressão “Vai, Brasa”, porque disse ter sido vendido na história, de que mal sabia. Pode ser, mas talvez caiba avisar: a subtração do ruidoso slogan não fará o Brasa virar Brasil, o Brasil de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 – e tampouco o de 1982. É uma pena.

Fonte: veja.abril.com.br