domingo, abril 19, 2026
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Messi compra time e aumenta lista de atletas proprietários de clubes

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Messi compra time e aumenta lista de atletas proprietários de clubes

A lista de jogadores, ex-atletas e celebridades que investem em clubes de futebol é bem maior do que parece. Nesta quinta-feira, 16, o craque argentino Lionel Messi oficializou a compra de 100% da Unió Esportiva Cornellà, time da Catalunha, que disputa a 3a divisão do Campeonato Espanhol. O clube catalão luta pelo acesso para a quarta divisão, ocupando atualmente a terceira posição do Grupo 5 da Tercera RFEF (4a divisão do Campeonato Espanhol) com 55 pontos após 30 rodadas, atrás de Manresa (60 pontos) e Badalona (57). O motivo da escolha do Cornellà por parte de Messi decorre da forte tradição da agremiação na formação de jovens jogadores.

Lionel Messi aumenta a lista de atletas e ex-jogadores proprietários de clubes, que já conta com nomes como Cristiano Ronaldo, Gerard Piqué, Ibrahimović, N’golo Kanté, Didier Drogba, David Beckham, Mbappé e Thierry Henry.

Em fevereiro deste ano, Cristiano Ronaldo seguiu o mesmo caminho ao adquirir 25% do Almería, equipe que disputa a 2a divisão da Espanha, reforçando o plano de se consolidar também como empresário no esporte. A operação foi realizada por meio da CR7 Sports Investments, braço empresarial voltado à gestão de ativos esportivos.

DE HOLLYWOOD AOS ESTÁDIOS

Mas não são apenas profissionais do esporte que têm feito esse movimento. Celebridades de Hollywood e artistas e músicos consagrados também estão adquirindo times de futebol. Um caso que chamou a atenção foi do ator Michael B. Jordan, que ao conquistar seu primeiro Oscar da carreira, ao vencer a categoria de melhor ator pela atuação dupla no filme Sinners, foi homenageado pelo Bournemouth, da Premier League, clube que ele é um dos proprietários minoritários, desde o final de 2022. 

“Mesmo a compra de um percentual irrelevante no processo decisório, se feita por uma celebridade, gera repercussão que extrapola o próprio noticiário esportivo, e gera interesse, ainda que em sub-produtos dos clubes e suas marcas. Veremos ao longo dos próximos anos pelo menos dezenas ou mesmo uma centena de celebridades da indústria da música e do cinema incorporando a sua carteira de investimentos participações minoritárias e pontuais entre os seus ativos alternativos. É um movimento sem volta de propaganda implícita desses ativos, agora financeiros”, explica Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana, que gerencia a carreira de centenas de atletas.

Nos últimos meses, chamou a atenção do mundo o fato de um dos maiores rappers de todos os tempos, Snoop Dogg, ter ido assistir ao jogo do do Swansea, clube que ele adquiriu uma participação minoritária em meados do ano passado.

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Recentemente, outro caso bastante emblemático foi o do astro de Hollywood Ryan Reynolds, que adquiriu o La Equidad, atualmente na Primeira Divisão do Campeonato Colombiano e com sede na capital colombiana, Bogotá. Ele, que já é dono do Wrexham, da League One, da Inglaterra, terá como parceiro em continente sul-americano os também atores Rob McElhenney e Eva Longoria.

“O profissionalismo é a chave para o sucesso no futebol. Quando investidores compram clubes de menor porte, independentemente de uma relação “passional” anterior, a gestão é feita baseada em critérios empresariais, com foco em resultados financeiros e, como consequência, esportivos. Em divisões menos competitivas, o nível de investimento demandado é menor e o potencial de crescimento de receitas (logo, de lucros) é mais rápido. O mercado chama isso de potencial de “upside”, que, por ser maior, indica um potencial de retorno mais rápido do investimento feito,” explica Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol, que finaliza.

Além disso, Ryan Reynolds lidera um novo movimento de investimento no futebol sul-americano, ao rebatizar no início deste ano o nome do La Equidad como Internacional de Bogotá. O projeto é grandioso e visa a um reposicionamento de marca, tanto que as cores do novo escudo levam as três cores oficiais de Bogotá (preto, branco e dourado), além de incluir imagens dos cerros da cidade e do condor andino, ave símbolo e que corre risco de extinção. Uma das intenções é dar visibilidade internacional ao clube e, num futuro próximo e com altos investimentos, fazer com que o agora Internacional de Bogotá dispute a Copa Libertadores de 2027 ou 2028.

Outro caso que chamou a atenção foi relacionado ao meia Luka Modric, ex-Real Madrid e atualmente no Milan, e do rapper americano Snoop Dogg, anunciados como novos sócios do Swansea, clube da segunda divisão da Inglaterra. O Swansea pertence a um consórcio norte-americano e já não tem mais chances de conseguir acesso à Premier League nesta temporada – a última vez na elite inglesa foi em 2018.

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“Essa ampliação de visibilidade tem potencial de atração de novos fãs e novos patrocinadores, como consequência disso. Potencial porque não é só isso que resolve. Tem outros vários aspectos que fazem com que um patrocinador, um fã possa se interessar”, afirma Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da faculdade ESPM. Para Cristiano Caús, sócio da CCLA Advogados, nem todo investimento deste tipo é bem-sucedido, mas o risco é proporcional a rentabilidade. “Maior é o risco, maior é a rentabilidade que ele vai ter”.

DINHEIRO E PODER EM JOGO

Além das estrelas do cinema, vão fazer parte do projeto o co-presidente do Club Necaxa, Al Tylis, e o executivo do D.C. United na MLS e do Necaxa, Sam Porter. “Al Tylis e Sam Porter não só têm uma vasta experiência no mundo dos esportes, mas também contam com o apoio de figuras reconhecidas como Eva Longoria, Rob McElhenney, Ryan Reynolds, Justin Verlander, Kate Upton, Shawn Marion e Scott Galloway”, disse o La Equidad, em comunicado.

As figuras poderosas de Hollywood se unem a Al Tylis, copresidente do Club Necaxa; Sam Porter, executivo do D.C. United na MLS e do Necaxa; o arremessador da MLB Justin Verlander, sua esposa, a supermodelo Kate Upton; e o ex-jogador da NBA Shawn Marion na equipe de investimentos que assume o controle do clube com sede na

A entrada de celebridades do esporte, da música e do entretenimento comprando ou adquirindo fatias de clubes de futebol vem acontecendo com mais frequência que o normal. No mês passado, o próprio astro do basquete, Magic Johnson, disse que muito em breve deve começar a fazer investimentos em equipes brasileiras, sem especificar de quais esportes.

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“Acredito que é bom para o mercado como um todo, pois reúne um poderio financeiro ainda maior em clubes considerados de médio porte, mas com objetivos globais de crescimento a curto prazo, além de envolver uma publicidade muito grande em torno dos nomes dessas celebridades”, pontua Claudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management Brasil, empresa especializada no gerenciamento da carreira de atletas. 

ED SHEERAN NOS BASTIDORES

Outro caso mais recente desses investimentos aconteceu ainda em meados de 2025, quando o cantor Ed Sheeran adquiriu 1,4% do Ipswich Town, que disputa a Premier League, através de ações da Gamechanger 20 Ltd. Ele se tornou sócio minoritário da equipe e vai ter o direito de utilizar um camarote executivo no Portman Road, estádio da equipe, por muitos anos.

O Ipswich Town voltou a disputar a liga inglesa nesta temporada após 22 anos, e Ed Sheeran e é torcedor do clube. Além disso, ele já tinha uma relação próxima, pois era um dos patrocinadores oficiais dos times masculino e feminino, desde 2021. O cantor também costuma estar ativo na vida do Ipswich. Recentemente, ele participou de um vídeo de divulgação da nova temporada do clube ao dirigir um trator. Era uma referência ao apelido ‘Os Garotos dos Tratore’, dado aos torcedores locais, pelo fato do time estar localizado numa região agrícola da Inglaterra.

“Acredito que todas as partes só tem a ganhar, com uma visibilidade que extrapola os padrões de marketing e publicidade. Perceba que em muitos desses casos, essas celebridades adquirem clubes menores, com alguma ligação emotiva, mas em ligas e países desenvolvidos e que podem trazer a potencialização de receitas, seja com a própria exposição ou novas parcerias”, acrescenta Joaquim Lo Prete, Country Manager da Absolut Sport no Brasil, agência de experiências esportivas.

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O astro LeBron James, da NBA, comprou em 2011, por 6,5 milhões de dólares, 2% das ações do Liverpool. Atualmente, essa participação vale mais de 50 milhões de dólares. Também da NBA, Steve Nash adquiriu o Mallorca, da Espanha, por 20 milhões de euros. Em 2022, a atriz Reese Witherspoon virou uma das co-proprietarias do Nashville FC, da Major League Soccer (MLS). Natalie Portman, sua companheira de gravações, também se tornou uma das investidoras Angel City, da liga feminina dos Estados Unidos.

TENDÊNCIA EM CAMPOS BRASILEIROS

No Brasil, empresa criada por Guilherme Bellintani segue esse caminho. O caso mais emblemático é o de Ronaldo Fenômeno, sócio majoritário do Real Valladolid, da Espanha, desde 2018, quando comprou 51% das ações do clube por 30 milhões de euros (aproximadamente R$ 141 milhões). Em 2025, o cantor Gusttavo Lima comprou o Paranavaí, time da segunda divisão do Paraná, investindo R$3 milhões por 60% da SAF.

Já a vertente do MCO (Multi-Club Ownership), em que um grupo empresarial administra mais de um clube e faz conexões entre ativos, está crescendo. A Squadra Sports, criada por Guilherme Bellintani, executivo que foi um dos responsáveis pela chegada do Grupo City ao Bahia, administra cinco clubes no país: Londrina-PR, Linense-SP, VF4-PB, Ypiranga-BA e o Conquista-BA fazem parte do portfólio.

Atualmente, o banco de jogadores conta com aproximadamente 250 atletas, com mais de 45 ativos atuando em clubes fora do portfólio da empresa, em que foram negociados ou que tiveram parte dos direitos adquiridos pela Squadra. Nos próximos cinco anos, a meta é alcançar 1.000 jogadores, dentre base e profissional, com 25% desse número em clubes externos aos comandados pela gestora.

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“É um modelo que potencializa os ativos das equipes que fazem parte do grupo. Os clubes que estão fora da cadeia não são meus concorrentes, enxergamos como clientes que podem vir a negociar com algum de nossos atletas. Além disso, conseguimos alinhar os objetivos esportivos, formar jogadores em diferentes regiões do país e estruturar os flagships da Squadra, que são Londrina-PR e Linense-SP, comenta Guilherme Bellintani, CEO da Squadra Sports.

Na última temporada, o Londrina, principal ativo da marca, foi vice-campeão da Série C e garantiu o acesso à Segunda Divisão com uma das menores folhas salariais da competição.

“Quando você entende o business de esportes como o conceito mais amplo de “sportainment”, que junta esporte com entretenimento, você amplia as possibilidades de receitas ainda mais e é isso que esses personagens do cinema percebem (até como parte do seu DNA) e, por isso, começam a investir no segmento”, complementa Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados.

Fonte: veja.abril.com.br