Polícia Federal – News Rio https://newsrio.com.br Notícias do RIo Fri, 27 Mar 2026 08:44:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://newsrio.com.br/wp-content/uploads/2026/03/272x90-150x90.png Polícia Federal – News Rio https://newsrio.com.br 32 32 como CPMI do INSS e CPI do Crime Organizado se conectam https://newsrio.com.br/2026/03/27/como-cpmi-do-inss-e-cpi-do-crime-organizado-se-conectam/ Fri, 27 Mar 2026 08:44:36 +0000 https://newsrio.com.br/2026/03/27/como-cpmi-do-inss-e-cpi-do-crime-organizado-se-conectam/

De um lado, a Operação Sem Desconto, iniciada em abril de 2025, uma investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria Geral da União (CGU) sobre fraudes no INSS, que levaram a desvios de pelo menos R$ 6,3 milhões de aposentados e pensionistas desde 2019. De outro, a Operação Carbono Oculto, deflagrada cerca de quatro meses depois, protagonizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela PF sobre a infiltração do PCC no mercado financeiro, que expôs o uso de postos de combustíveis e fundos de investimento para lavar dezenas de bilhões de reais em dinheiro ilícito.

No meio, o Banco Master, alvo de uma terceira investigação, deflagrada pela Polícia Federal, a Operação Compliance Zero, para apurar suspeitas de fraudes de pelo menos R$ 12 bilhões (envolvendo, inclusive, crédito consignado para beneficiários do INSS), lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e outros crimes relacionados ao banco, que se valia de uma rede de fundos suspeita de conexões com a facção criminosa.

Para completar, diante das suspeitas do envolvimento de políticos e agentes públicos nos esquemas, duas comissões parlamentares de inquérito – a CPMI do INSS, composta por deputados e senadores, e a CPI do Crime Organizado, formada apenas por senadores – resolveram acompanhar todas essas investigações.

Essas diferentes frentes têm protagonizado as manchetes do noticiário político e policial há meses. No Congresso, ambas comissões têm se debruçado sobre o Master, ainda que por caminhos diferentes, mas com muitos casos e personagens que se cruzam, a começar por Daniel Vorcaro, controlador do banco Master.

Alvo de vários requerimentos de convocação e quebras de sigilo pelas duas comissões, ele está preso desde o início de março e não precisou comparecer nem à CPMI do INSS e nem à CPI do Crime Organizado, amparado por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, negocia com a PF e com a Procuradoria-Geral da República (PGR) uma delação premiada.

Na CPMI do INSS, a principal frente de investigação relacionada ao Banco Master é sobre as suspeitas de fraudes em empréstimos consignados aos beneficiários do INSS. Já na CPI do Crime Organizado, os senadores procuram entender se as operações do banco e de Vorcaro, que se valiam de uma rede de fundos de investimento administrados pela gestora Reag, estão conectadas com práticas de lavagem de dinheiro por facções criminosas.

Por que isso importa?

  • Criada em maio do ano passado, a CPMI do INSS analisou mais de 2.200 requerimentos e avaliou fraudes que podem chegar a R$ 40 bilhões.
  • Um dos objetivos da CPI do Crime Organizado é aprofundar as investigações que ligam os fundos de investimentos suspeitos de fraude e políticos.

São frentes interligadas. Segundo as investigações em andamento, o Master teria operado um amplo sistema de fraudes para inflar os números do banco, enquanto desviava recursos. Uma das táticas era a oferta de modalidades de crédito consignado aos aposentados e pensionistas do INSS. Para isso, o Master tinha um Acordo de Cooperação Técnica com o instituto, suspenso em outubro do ano passado pelo próprio INSS, diante de suspeitas de irregularidades em 74% dos contratos de crédito consignado realizados pelo Master, o que equivale a 250 mil acordos.

O banco também teria movimentado grandes somas por meio de triangulações complexas para, no final das contas, financiar a si mesmo, emprestando dinheiro para empresas recém-fundadas que, por sua vez, aplicavam em fundos geridos pela Reag. Na Operação Carbono Oculto, o MPSP identificou bilhões de reais do PCC que teriam sido lavados em fundos de investimento, vários deles da Reag.

Uma reportagem do Estadão, inclusive, mostrou que a empresa PKL One, que intermediava a venda e cobrança do cartão consignado do Master, o Credcesta, está abrigada na rede de fundos administrados pela Reag. No final de fevereiro, a CPMI do INSS aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal da PKL One, mas a medida foi suspensa por decisão do ministro do STF Flávio Dino, que anulou todos os requerimentos de quebras de sigilo aprovados em bloco na sessão de 26 de fevereiro.

“Dentro dessa estrutura, o capital transitava por múltiplas camadas de ativos com baixa liquidez e valores artificialmente inflados. O ciclo se encerrava com o retorno dos recursos ao sistema de origem, configurando uma operação de circularidade financeira destinada a mascarar rombos patrimoniais e simular solidez contábil”, descreveu o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, ao pedir a quebra de sigilos do Master.

“É fundamental dissecar a função que o Banco Master desempenhou como a ‘bomba de sucção’ e posterior ‘distribuidor’ de recursos ilícitos. A quebra dos sigilos é a medida basal para rastrear o caminho do dinheiro e identificar a destinação final dos recursos captados fraudulenta”, afirma o requerimento de Vieira, que foi aprovado no final de fevereiro.

A CPI do Crime Organizado também já aprovou as quebras dos sigilos da Reag entre 2020 e 2026, solicitou relatórios de inteligência financeira pelo Coaf e informações sobre a gestora pelo Banco Central. As investigações da Polícia Federal apontam que fundos administrados da gestora podem ter movimentado cerca de R$ 250 milhões para o PCC e também terem sido usados nas operações fraudulentas do Master.

O fundador e ex-presidente do Conselho de Administração da Reag, João Carlos Falbo Mansur, chegou a prestar depoimento à CPI em 11 de março, mas se valeu do direito ao silêncio na maior parte do tempo. Na ocasião, ele negou qualquer conexão com o PCC, disse que o Master era apenas um cliente e que todas as operações da Reag eram auditadas.

Prazo está se esgotando

Ministro André Mendonça decidiu pela prorrogação da CPMI do INSS, mas o plenário do STF suspendeu a sua determinação

Ambas comissões têm pouco tempo disponível para concluir as investigações. A CPMI do INSS, mesmo com a prorrogação anunciada pelo seu presidente, senador Carlos Viana (Podemos-MG) nesta quinta-feira, 26 de março, deve finalizar suas atividades no próximo sábado, 28. Isso porque o plenário do STF suspendeu a decisão do ministro André Mendonça de aumentar o prazo da comissão. O relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) declarou que pretende apresentar o relatório nesta sexta-feira (27) e que o documento terá cerca de 5 mil páginas e mais de 200 pedidos de indiciamento.

Tanto Viana como Gaspar defenderam a extensão do prazo da CPMI por mais 120 dias para continuar as apurações, mas o pedido não foi analisado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Já a CPI do Crime Organizado está prevista para acabar no dia 14 de abril e também já pediu a prorrogação a Alcolumbre.

Agora, alguns senadores querem formar ainda uma terceira comissão específica sobre o Banco Master. Nesta quarta-feira, 25 de março, um grupo de seis parlamentares entrou com um pedido no STF para obrigar o presidente do Senado a instalar a comissão – o requerimento de pedido de abertura, com 51 assinaturas, está parado na mesa da presidência desde novembro do ano passado. Três senadores que foram ao STF integram as duas comissões já instaladas: Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF) e Eduardo Girão (Novo-CE).

Veja as principais conexões entre o escândalo do Master e as duas comissões parlamentares.

Banco Master e Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e passou a ser alvo da CPMI do INSS

O Banco Master foi citado pela primeira vez na CPMI do INSS no depoimento do advogado Eli Cohen, em 1º de setembro do ano passado, dois meses antes de o Banco Central determinar a dissolução do banco e de Vorcaro ser preso preventivamente pela primeira vez, junto com outros executivos do Master – também alvos das comissões. 

Cohen, considerado o primeiro a investigar de forma privada e depois denunciar o esquema de descontos indevidos de aposentados e pensionistas, acusou bancos de operarem fraudes em empréstimos consignados para aposentados, entre eles o Master. Na ocasião, porém, poucos parlamentares deram atenção à menção ao Master. Dois deputados chegaram a apresentar requerimentos para convocar Vorcaro, mas eles não foram pautados de imediato.

O cenário mudou depois que o banqueiro e outros dirigentes foram presos em 18 de novembro e após a CPMI, no mesmo mês, receber informações da Secretaria Nacional do Consumidor. Segundo o órgão, o Master era um dos bancos com maior número de reclamações relacionadas à produtos de crédito consignado, o que motivou novos pedidos para convocá-lo e prestar esclarecimentos sobre a atuação do banco.

No início de dezembro, os parlamentares aprovaram a convocação de Vorcaro e as quebras de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. A coisa, porém, não andou: o ministro do STF Dias Toffoli, então relator do inquérito sobre o Master, impediu que a CPMI tivesse acesso aos dados das quebras de sigilos. Essa decisão só foi revertida no final de fevereiro por André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso depois da saída de Toffoli.

Por alguns dias, os parlamentares, munidos de papel e caneta (já que o uso de equipamentos eletrônicos foi proibido), puderam acessar os dados em uma sala-cofre. Não durou muito. Depois de vazamentos de conversas íntimas de Vorcaro com sua ex-namorada Martha Graeff, Mendonça voltou atrás e, no último dia 16, determinou que todos os documentos fossem devolvidos à Polícia Federal para que o conteúdo sobre a vida privada do banqueiro fosse excluído.

Já a CPI do Crime Organizado, assim que retomou os trabalhos em fevereiro, se voltou para Vorcaro e para o Master por entender que as relações dele com a Reag se encaixam em um dos principais objetivos da comissão: compreender como o crime organizado se infiltrou no sistema financeiro. Já na segunda sessão do ano, em 25 de fevereiro, os senadores aprovaram a convocação de Vorcaro e a quebra de sigilos do Master.

“É necessário apurar se houve a prática de ‘cegueira deliberada’, por meio da qual a gestão do banco teria optado por ignorar a origem criminosa de aportes bilionários para inflar artificialmente seus balanços e, subsequentemente, tentar transferir esses ativos de origem ilícita para instituições públicas (como o BRB)”, afirmou Vieira, autor de um dos requerimentos aprovados.

Já Eduardo Girão afirmou que a suspeita de uso de estruturas financeiras operadas pela rede do Master para ocultar e reinserir valores “oriundos do PCC” mostrariam a conexão do esquema do Master ao crime organizado, “demonstrando que o caso transcende mera fraude bancária e alcança dimensões de segurança pública e infiltração criminal no sistema financeiro nacional”, como escreveu ele.

O cunhado Fabiano Zettel, ligado à igreja Lagoinha Global

Cunhado de Vorcaro e considerado pela PF como o operador financeiro da organização criminosa supostamente liderada pelo banqueiro, o empresário e ex-pastor Fabiano Zettel também está preso e na mira das comissões no Congresso, mas, amparado por habeas corpus, ele não prestou depoimento aos parlamentares.

A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra de vários sigilos de Zettel (bancário, fiscal, telefônico e telemático – este último são dados de plataformas digitais, como Meta e Google) para analisar sua proximidade com Vorcaro e a eventual participação em estruturas societárias que estão sendo investigadas. Recentemente, a CPMI do INSS pediu o compartilhamento desses dados. Além disso, o senador Humberto Costa (PT-PE) apontou as conexões de Zettel com a Reag, investigadas na Carbono Oculto.

“Fundos de investimentos controlados por Zettel, como o fundo Arleen, foram utilizados para realizar operações financeiras com pivôs da Carbono Oculto, servindo como duto para a lavagem de recursos de origem ilícita. A quebra de sigilo de Fabiano Zettel é fundamental para rastrear o fluxo financeiro entre seus fundos, a Reag, o Banco Master e os operadores do PCC, identificando os beneficiários finais das operações e a extensão da infiltração do crime organizado no sistema financeiro formal através de estruturas familiares e religiosas”, afirmou o senador. O fundo Arleen é justamente aquele que comprou parte da participação de uma empresa da família do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná.

Estruturas religiosas supostamente ligadas a Zettel também apareceram na CPMI do INSS em mais uma rede complexa de conexões pela possível relação com os descontos ilegais em aposentadorias.

Em vários momentos, o deputado Rogério Correia (PT-MG) apontou para a proximidade entre Zettel e André Valadão, líder da igreja Lagoinha Global. A igreja possui uma fintech, a Clava Forte Bank, suspeita de integrar a fraude do INSS. 

Eu tenho comprovações de que tanto o Vorcaro como o Pastor Zettel, André Valadão e a Clava Forte Bank também receberam recursos que vieram de pessoas aposentadas. Nós precisamos investigar isso, fazer a quebra [de sigilo], para ver se isso era dízimo ou se era lavagem de dinheiro”, afirmou o deputado no início de dezembro.

Valadão, apontado como sócio do sogro de Zettel e pai de Daniel, Henrique Vorcaro, foi alvo de requerimentos para comparecer à CPMI, mas eles ainda não foram analisados. Correia também pediu quebras de sigilos de Valadão e da Clava Forte para investigar se havia um canal de circulação de valores desviados entre a fintech, o Master e outras instituições relacionadas a Zettel. Os requerimentos, porém, também não foram votados pelos parlamentares.

Correia e outros deputados também chamam a atenção para a proximidade entre Valadão e Felipe Machado Gomes, presidente de uma das associações suspeita de fraudar o INSS e investigado no STF por organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato qualificado. Aos 35 anos, Gomes gastava mais de R$ 100 mil por mês em grifes de luxo, como mostrou o Metrópoles, e tinha vários carros de luxo, apreendidos em uma operação da PF em outubro autorizada por Mendonça. Amigo de Valadão, Gomes patrocinou evento de réveillon da Lagoinha em 2024. “Essa movimentação financeira ocorreu no auge da farra dos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas”, afirma Correia. 

Deputado federal Rogério Correia (PT-MG) defende a investigação das relações entre os pastores Fabiano Zettel e André Valadão com as fraudes no INSS

BK Bank e a relação com o crime organizado

O plano de trabalho da CPI do Crime Organizado prevê investigar o uso de fintechs em operações de lavagem de dinheiro. Uma das fintechs na mira é a BK Bank. Em 25 de fevereiro, os senadores aprovaram a quebra dos sigilos bancário e fiscal da BK Bank e o envio, pelo Coaf, de relatórios sobre as movimentações financeiras.

“As apurações conduzidas pela PF e pelo MPF identificaram que o BK Bank operava como uma engrenagem essencial para a movimentação de recursos ilícitos ligados ao PCC. A instituição, sob a roupagem de fintech e emissora de cartões de benefícios, teria sido utilizada como instrumento de ocultação patrimonial, funcionando como verdadeira “caixa preta” que dificultava a rastreabilidade das operações. Foram detectadas transações bilionárias irregulares, estimadas em dezenas de bilhões de reais, que apontam para práticas de lavagem de dinheiro”, afirmou o senador Jaques Wagner (PT-BA), no requerimento que solicitou as quebras de sigilo.

Meses antes, ainda em outubro do ano passado, a relação da fintech com o PCC foi citada na CPMI do INSS, durante o depoimento justamente de Felipe Machado Gomes, que, se valendo de um habeas corpus, permaneceu em silêncio diante das perguntas dos parlamentares.

“A pergunta que não quer calar: os senhores usaram a estrutura do BK Bank, a mesma estrutura usada pelo PCC, o senhor é membro do Primeiro Comando da Capital? O senhor é parte integrante do PCC?”, perguntou o relator Alfredo Gaspar (União-AL).

Dias antes, a PF havia realizado uma operação contra Gomes e outros jovens presidentes de entidades envolvidas no esquema de fraudes do INSS.

“Segundo as investigações, Felipe Macedo, Américo Monte, Anderson Cordeiro, que têm o mesmo advogado, ao que tudo indica, utilizavam a BK Bank como elo de esquema da lavagem de dinheiro e evasão de divisas, a mesma fintech utilizada pelo PCC, pelo esquema do crime organizado. O dinheiro que eles roubaram dos aposentados, eles lavavam nas mesmas conexões que o PCC”, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) na ocasião, durante sessão da CPMI.

Um reincidente de CPIs: Danilo Berndt Trento

A BK Bank aparece relacionada a outro personagem, um reincidente em comissões parlamentares de inquérito: Danilo Berndt Trento. Em 2021, Trento foi indiciado pela CPI da Pandemia pelos crimes de fraude em contratos para compra de vacinas contra a Covid-19, formação de organização criminosa e improbidade administrativa. Ele era um dos envolvidos no esquema de venda da vacina Covaxin a preços superfaturados para o Ministério da Saúde.

Agora, ele volta a aparecer nas CPIs. Já em setembro do ano passado, a CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dele. Em outubro, os parlamentares também votaram para convocá-lo a depor. Isso porque, segundo a investigação da PF, Trento colaborava com o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, na fraude dos descontos. Eles chegaram a ser flagrados juntos, em novembro de 2024, em uma área restrita do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ocasião em que Trento teria pagado a passagem de Oliveira Filho.

Já em fevereiro, foi a vez da CPI do Crime Organizado aprovar a convocação de Trento por conta de transações suspeitas envolvendo duas empresas dele: a BSF Gestão em Saúde e a T5 Participações. Essas suspeitas foram identificadas justamente a partir das quebras de sigilo e informações do Coaf enviadas à CPMI do INSS.

Segundo o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), autor do requerimento de convocação de Trento, os relatórios do Coaf mostram que a BSF Gestão em Saúde recebeu R$ 9,9 milhões de um dos fundos da Trustee, administradora responsável pela gestão de ativos do Master. A BSF chegou a ser alvo da CPI da Pandemia, apontada como empresa utilizada para lavar o dinheiro do esquema de fraudes envolvendo a Covaxin.

Já a T5 Participações, outra empresa da qual Trento foi sócio até março de 2024, pagou R$ 700 mil para a BK Bank, que movimentou bilhões em transações suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC. Não bastasse, segundo Rodrigues, a BK Bank compartilha o mesmo CNPJ da Berlin Finance, “empresa envolvida na cadeia de lavagem de dinheiro do esquema investigado pela CPI da Pandemia e que enviou recursos vultosos (R$ 500 mil e R$ 700 mil) para a Primarcial Holding, empresa ligada a Danilo Trento”.

Augusto Ferreira Lima e o banco Pleno

Ex-sócio de Vorcaro e controlador do Banco Pleno, que também foi dissolvido por decisão do Banco Central, Augusto Ferreira Lima chegou a ser preso preventivamente em novembro do ano passado e é investigado na Operação Compliance Zero sobre o Master.

Em fevereiro, ele foi convocado para prestar depoimento às duas CPIs. A CPMI do INSS chegou a marcar o depoimento para 11 de março, mas, depois de uma decisão de André Mendonça que tornou facultativa a presença dele, Lima não compareceu.

Autor do requerimento na CPMI do INSS, Rogério Correia afirmou que a presença de Lima era necessária diante da conexão direta dele com o Banco Master e com o Banco Pleno, além dos indícios que apontam para a criação de associações de servidores na Bahia a fim de produzir carteiras de crédito depois usadas em fraudes. O deputado também pediu, em requerimentos ainda não apreciados, a quebra de sigilo bancário e fiscal do Banco Pleno.

Já na CPI do Crime Organizado, Lima foi convocado para esclarecer se houve falhas sistêmicas ou intencionais dos mecanismos de controle e prevenção à lavagem de dinheiro nos bancos, como apontou Alessandro Vieira, e as suspeitas de conexões da rede do Master com o PCC, conforme Eduardo Girão.

A ex-namorada, o “primo” e os dirigentes

Além desses personagens, ambas comissões parlamentares tentaram convocar a ex-namorada de Vorcaro, Martha Graeff, que não foi localizada e não compareceu a nenhum dos depoimentos. A CPI do Crime Organizado também aprovou a convocação de vários outros dirigentes do Master, como Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do banco, Luiz Antônio Bull, ex-diretor de riscos e compliance, Alberto Félix de Oliveira Neto, superintendente-executivo da Tesouraria do banco.

Além deles, a CPI quer ouvir Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “O Primo” e considerado um dos operadores do esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Segundo a Carbono Oculto, ele teria movimentado R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizando cerca de mil postos de combustíveis. Entre as empresas que se suspeita terem sido usadas por ele, está a BK Bank.

Há ainda uma suspeita de conexão com o esquema do Master, já que relatórios de inteligência financeira apontam que Mourad usou a Trustee para lavar dinheiro. “Essa conexão evidencia como a fragilidade regulatória do sistema financeiro, investigada por esta CPI, foi explorada para dar aparência de legalidade a recursos oriundos do crime”, afirmou o senador Jorge Kajuru (PSB-GO), membro da comissão sobre crime organizado.

Fonte: apublica.org

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texto frustra setor da Polícia Federal e salva bets https://newsrio.com.br/2026/02/26/texto-frustra-setor-da-policia-federal-e-salva-bets/ Thu, 26 Feb 2026 08:51:47 +0000 https://newsrio.com.br/2026/02/26/texto-frustra-setor-da-policia-federal-e-salva-bets/

Após meses de embates com a oposição no Congresso, o governo cedeu e fechou um acordo para que a Câmara dos Deputados aprovasse o projeto de lei 5582/2025, apelidado de PL Antifacção, em uma votação simbólica na noite da última terça (24). A articulação envolveu o atual ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Wellington César Lima e Silva, que, horas antes da votação, reuniu-se com membros da bancada da bala e da Comissão de Segurança Pública da Casa. Oficialmente, o ministro disse ter ido ao Congresso para discutir outro projeto similar, a PEC da Segurança Pública.

À Agência Pública, o atual secretário nacional de Segurança Pública do MJSP, Francisco “Chico” Lucas Costa Veloso, confirmou que o resultado da votação foi fruto de um acordo e que, no geral, o saldo foi “positivo”.

“Evitamos a criminalização dos movimentos sociais, mantivemos os fundos federais e alguns institutos de investigação, então o saldo é positivo”, afirmou o secretário.

Uma nota da Secretaria de Comunicação Social (Secom), diretamente ligada à Presidência da República, reforça o apoio da gestão Lula (PT) à versão final do PL Antifacção, avaliando que a matéria “reflete a essência do projeto enviado pelo governo”, apesar das críticas de especialistas e de setores impactados pela lei recém-aprovada.

Os deputados descartaram a maioria das alterações feitas pelo Senado Federal em dezembro passado, quando o projeto foi aprovado sob a relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, o parlamentar avaliou negativamente as alterações feitas na véspera pela Câmara.

“Tudo aquilo que se referia ao combate ao crime organizado ‘dos ricos’, aos crimes de ‘colarinho branco’, os deputados retiraram. O financiamento que permitiria que a polícia ‘de verdade’ combatesse o crime, os deputados retiraram também. Mas acho que cada um vai responder por isso nas eleições”, disse Vieira à Pública.

Por que isso importa?

  • Projeto de Lei endurece as normas que visam combater o crime organizado
  • O texto aprovado na Câmara, que seguirá para a sanção do presidente Lula, retomou pontos que tinham sido alterados no Senado Federal

Quem também desaprovou a redação final do PL Antifacção foi a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que antes da votação na Câmara expressou seu apoio ao texto aprovado no fim de 2025 pelo Senado.

“O relatório do deputado [Guilherme] Derrite retirou mecanismos importantes de investigação que haviam sido inseridos para fortalecer a atuação da Polícia Federal, como o Banco Nacional de Organizações Criminosas, a ampliação do conceito de dados cadastrais e captação ambiental unilateral”, afirmou em nota o presidente da ADPF, Edvandir Paiva.

Ainda segundo a associação, outro ponto problemático se refere aos recursos financeiros reservados para a PF.

“Não há qualquer previsão de destinação direta de recursos à Polícia Federal, limitando-se a mencionar o Fundo Nacional de Segurança Pública, que não é fonte permanente para a PF”, segundo o presidente da ADPF, que afirmou ainda que isso representaria “um prejuízo significativo à atuação da Polícia Federal e uma frustração para quem esperava ferramentas e recursos para o combate ao crime organizado”.

Centrão isentou bets de novo imposto durante a votação

Durante a votação na Câmara, foi retirada, de última hora, a chamada CIDE-Bets – um novo imposto sobre as empresas de apostas esportivas, cuja arrecadação, estimada em R$30 bilhões por ano, seria voltada para o Fundo Nacional de Segurança Pública.

Proposta pelo Senado, a CIDE-Bets tinha apoio tanto do governo Lula, quanto do próprio relator do PL Antifacção na Câmara, o deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, Guilherme Derrite (PP), como mostra o relatório final da proposta protocolado por ele.

Mas o próprio partido de Derrite, o PP, apresentou um destaque no momento da votação, excluindo tanto a tributação sobre as bets quanto outras normas de regularização de impostos, devidos e não pagos, por empresas de apostas esportivas, nos últimos cinco anos.

Horas antes, o presidente da Câmara, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia dado sinais contrários à criação deste novo imposto sobre as bets durante uma entrevista coletiva, antecipando o destaque apresentado pelo PP em parceria com outros partidos do Centrão.

“Não há como você, mensalmente, mudar a alíquota de impostos cobrados sobre nenhum setor, nem de bets, nem de qualquer outro, porque isso tira o planejamento de qualquer empresa que se estabelece no Brasil de maneira legal, sob outorga pública, pagando por essa outorga e tendo a condição de operacionalizar suas atividades dentro da lei”, disse então o presidente da Câmara.

Quais os pontos principais definidos pelo PL Antifacção

O PL Antifacção, oficialmente, ganhou o nome de “Marco Legal de Enfrentamento ao Crime Organizado no Brasil” e também um novo apelido, Lei Raul Jungmann – uma homenagem ao ex-ministro da Justiça do governo Michel Temer (2016-2018), falecido no último dia 18 de janeiro.

O texto que segue para sanção do presidente Lula (PT) tipifica várias condutas de organizações criminosas e milícias privadas, atribuindo a elas penas de 20 a 40 anos de prisão em um novo tipo de crime, o “domínio social estruturado”. Quem atuar em favorecimento a esse crime será punido com reclusão de 12 a 20 anos.

A proposta define ainda que aqueles que forem enquadrados nos novos crimes previstos não receberão anistia, graça, indulto, fiança ou liberdade condicional. Seus dependentes também não receberão auxílio-reclusão caso os presos estejam reclusos provisoriamente ou cumprindo pena em regime fechado ou semiaberto. Caso as pessoas presas exerçam função de comando ou liderança em facções, elas obrigatoriamente cumprirão pena em presídios federais de segurança máxima.

O texto define como “facção criminosa” toda organização criminosa ou mesmo três ou mais pessoas que usem violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios, intimidar populações ou autoridades. Casos de ataque a serviços, infraestrutura ou equipamentos essenciais, englobando ações atualmente chamadas de “novo cangaço”, também foram enquadrados no termo.

Um dos pontos de controvérsia ao longo da tramitação foi o destino de recursos e bens apreendidos pelas investigações contra facções criminosas. Segundo o governo, a redação final do texto garante a “alienação antecipada e a manutenção da destinação célere dos bens aos órgãos da segurança pública”.

No fim das contas, a Câmara definiu que, nos casos que envolverem órgãos federais e estaduais, os valores apreendidos serão divididos igualmente, 50% para cada, sendo destinados igualmente para o Fundo Nacional de Segurança Pública e para os respectivos Fundos Estaduais. Caso a investigação seja conduzida apenas pelo governo federal, 100% do valor vai para o Fundo Nacional.

Fonte: apublica.org

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como Ibaneis Rocha está ligado à crise do Banco Master https://newsrio.com.br/2026/02/03/como-ibaneis-rocha-esta-ligado-a-crise-do-banco-master/ Tue, 03 Feb 2026 20:14:15 +0000 https://newsrio.com.br/2026/02/03/como-ibaneis-rocha-esta-ligado-a-crise-do-banco-master/

Em 30 de dezembro de 2025, em uma sala da Polícia Federal (PF), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do recém-liquidado Banco Master, afirmou ter se encontrado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), “em algumas poucas oportunidades” para tratar da proposta de aquisição de seu banco pelo Banco de Brasília (BRB). Vorcaro mencionou visitas mútuas às residências um do outro para “conversas institucionais”.

Do outro lado, Ibaneis Rocha, cujo governo é acionista majoritário do BRB, afirmou que, em momento algum, nas quatro vezes em que encontrou Vorcaro, tratou de assuntos relacionados ao BRB/Master. “Entrei mudo e saí calado”, declarou o governador à imprensa, atribuindo a responsabilidade ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, até então de sua confiança.

A divergência, exposta em vídeos dos interrogatórios, sob sigilo até serem liberados pelo ministro do STF Dias Toffoli, são mais uma peça de um quebra-cabeça no escândalo que ameaça não apenas o futuro do banco público do Distrito Federal, mas também as ambições políticas de Ibaneis, que almeja uma vaga no Senado nas eleições deste ano.

O quanto Ibaneis sabia?

A questão não é apenas quem diz a verdade, mas o que aconteceu nos bastidores de uma operação que pode ter exposto o BRB a um rombo de pelo menos R$ 5 bilhões, valor que superaria o patrimônio líquido do próprio banco, avaliado em R$ 4,9 bilhões no final de 2025. O valor foi calculado pelo diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, em depoimento à PF no final de 2025. Na ocasião, Aquino alertou que o desfalque poderia ser ainda maior caso não houvesse uma solução para outro problema: o Will Bank, o banco digital de Vorcaro, também em situação delicada e liquidado em 21 de janeiro deste ano.

No depoimento à PF, Aquino afirmou que a direção do BRB, ao aplicar as técnicas corretas, “deveria ter identificado” os problemas nos créditos adquiridos do Master. “Não tenho dúvidas disso”, afirmou. Mas sobre o tema, Ibaneis se limitou a declarar que o “valor só poderá ser afirmado quando terminarem as auditorias”. “O resto é chute”, afirmou.

Enquanto o governador tenta se distanciar da negociação, apresentando-se como figura traída por um subordinado, o depoimento do próprio ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa desenha um cenário diferente.

Costa confirmou à PF que “costumeiramente prestava contas” ao governador. Ele descreveu a existência de “pontos de controle periódicos” com Ibaneis, nos quais levava uma lista de assuntos a serem tratados e reportava o andamento das iniciativas do banco, incluindo a aquisição do Master e afirmou: “Eu não levaria adiante uma tentativa de aquisição de banco sem que isso fosse comunicado ao acionista controlador”.

Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, inclusive com a compra de carteiras de crédito de polêmicos precatórios, bem como ativos de baixa liquidez, operações que mais tarde se revelaram fraudulentas. Para se ter uma ideia, a carteira de crédito do BRB saltou de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões em doze meses, dos quais ao menos R$ 12,2 bilhões vieram de operações com o Master.

Além disso, em agosto de 2025, o governo do Distrito Federal enviou à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em regime de urgência, um projeto de compra de 49% das ações ordinárias do Master pelo BRB, além de 100% das ações preferenciais do capital social da empresa. O movimento fez os deputados distritais reféns, já que, pelo regulamento da casa, eles teriam que priorizar a votação da questão dentro de 45 dias e seriam impedidos de destravar outros assuntos da Câmara até uma resolução.

O resultado veio a jato: 14 distritais aprovaram a compra do Master por meio do Projeto de Lei 1882/2025. O texto virou lei e foi sancionado por Ibaneis. Tudo em apenas uma semana. A aquisição só não foi para frente por ter sido impedida pelo Banco Central no mês seguinte.

Com ações financeiras dessa dimensão e articulação política para a aquisição do Master conduzidas sob a lógica desses “pontos de controle” regulares, como afirmou o ex-presidente do BRB, sobre a participação de Ibaneis Rocha, outra dúvida importante é levantada: como o governador, informado sobre o negócio, não percebeu ou questionou os riscos de uma operação de tal magnitude com uma instituição financeiramente instável?

BRB foi essencial para adiar ruína do Master

O Banco Master não era um parceiro de negócios trivial do BRB. A instituição de Daniel Vorcaro já era acompanhada com desconfiança pelo Banco Central desde 2024, ainda na gestão de Roberto Campos Neto, devido ao seu modelo de negócios agressivo e a sinais de desequilíbrio.

A investigação da PF, batizada de Operação Compliance Zero, revelou um suposto esquema de “engenharia contábil”, no qual o Master teria adquirido créditos duvidosos de uma consultoria chamada Tirreno, sem efetuar pagamentos, para depois revendê-los ao BRB como se fossem ativos sólidos.

O próprio BC, segundo o diretor de fiscalização da autarquia, já havia identificado, em meados de 2025, que o Master tinha problemas de liquidez por não fazer os depósitos compulsórios – valores que os bancos são obrigados a manter no Banco Central para garantir a liquidez e reduzir riscos sistêmicos. Era um castelo de cartas que, segundo as informações iniciais das investigações, só se mantinha de pé graças às sucessivas injeções de liquidez do BRB.

Ailton Aquino, diretor do BC, também disse, em depoimento, que, antes da liquidação, o Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa, valor incompatível com uma instituição de seu porte. “Um banco de R$ 80 bi tem liquidez de R$ 3 bi e R$ 4 bi em títulos livres. O Master, antes da liquidação, só tinha R$ 4 milhões em caixa”, revelou.

​Em setembro de 2025, o BC vetou a compra do controle do Master pelo BRB, alegando irregularidades e falta de documentação. Poucas semanas depois, em 18 de novembro, decretou a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro, momento em que a PF deflagrou a operação que levou à prisão do banqueiro e ao afastamento do presidente do BRB.

A questão que permanece sem resposta é por que a diretoria do BRB, com suposto conhecimento do governador, continuou a acelerar os negócios com o Master diante dos sinais de alerta emitidos pelo mercado e pelos órgãos de controle?

Quando a crise se torna política

O blog da jornalista Natuza Nery, no G1, revelou que o crime de gestão fraudulenta de instituição financeira, com pena de 3 a 12 anos de reclusão, é o de maior pena sob investigação no caso. Ainda segundo o blog, a investigação no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, tem três frentes: a tentativa de compra do Master pelo BRB, fraudes financeiras por meio de fundos de investimento e a atuação de influenciadores digitais supostamente pagos para atacar o Banco Central.

A crise, no entanto, escalou para além das investigações policiais e atingiu o campo político e institucional. Na CLDF, a oposição protocolou, em 23 de janeiro de 2026, três pedidos de impeachment contra Ibaneis, assinados por PSB, Cidadania e PSOL. Os pedidos aguardam análise da Casa e foram classificados pelo presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), aliado de Ibaneis, como de “caráter político”. Eles atribuem a Ibaneis sete crimes de responsabilidade, incluindo omissão dolosa, expedição de atos contrários à Constituição, procedimento incompatível com o decoro do cargo e negligência na guarda do patrimônio público.

A disputa eleitoral no Distrito Federal tem levado governo e oposição a trocarem acusações sobre a responsabilidade pela crise do BRB/Master, com aliados do governador acusando a oposição de disseminar boatos sobre a quebra do banco, o que o atual presidente da instituição nega.

Nesta terça-feira (3), na volta do recesso parlamentar, Hugo Motta, presidente da Câmara, declarou que a CPI do Master vai entrar na fila. Resta saber, qual a CPI, diante de mais de um pedido em andamento na casa, seja da oposição ou da situação.

Escândalo em rede e à direita

Não custa lembrar, como registrou a última coluna de Marina Amaral na Agência Pública, que a rede de conexões políticas de Vorcaro inclui figuras proeminentes da direita.

O cunhado de Vorcaro Fabiano Zettel, por exemplo, foi o maior doador privado das campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas em 2022. Já o senador Ciro Nogueira (PP-PI) propôs uma PEC para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que beneficiaria o Master. Antônio Rueda, presidente do União Brasil, teria intermediado a aproximação entre Vorcaro e Ibaneis. Além disso, já é sabido que fundos de previdência vinculados a políticos do União Brasil e do PP investiram centenas de milhões em ativos do Master.

Com um rombo bilionário em análise, o futuro do BRB está em xeque. O atual presidente do banco já admite a necessidade de buscar socorro no FGC e no próprio Governo do Distrito Federal para cobrir o prejuízo. A conta, ao que tudo indica, será paga com dinheiro público.

Em meio à crise, um movimento de Ibaneis acendeu mais um alerta: a indicação, em janeiro de 2026, de Edison Garcia para o conselho de administração do BRB. Garcia é conhecido por ter conduzido, no próprio governo Ibaneis, a privatização da distribuidora de energia do Distrito Federal (CEB). Para sindicatos e a oposição, a indicação é um sinal de que o roteiro clássico de “sucatear e depois vender” estaria em marcha.

Em nota, o BRB informou que “qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados pelo Banco Master” e que a avaliação integra a apuração do Banco Central e a investigação conduzida pelo escritório Machado Meyer com apoio técnico da Kroll. A instituição informou ainda que “após o encerramento das apurações será estabelecido o valor do aporte necessário para cobrir eventuais perdas” e que “já está desenhado um plano de capitalização que será encaminhado ao órgão regulador após a conclusão das análises”.

Enquanto isso, as perguntas se acumulam: O que mais foi dito nas “conversas institucionais” entre o governador e o banqueiro? Por que Vorcaro, em seu depoimento, interrompeu uma frase ao começar a dizer quem mais estava presente nos encontros? Qual foi o papel de Juliana Monici, chefe de gabinete de Ibaneis e, ao mesmo tempo, conselheira fiscal do BRB, que foi tornada ré pela Comissão de Valores Mobiliários em um processo que investiga as operações? Quem mais da área política está envolvido? E, por fim, no caso do governador, resta entender: o que Ibaneis Rocha tem a ver com a crise do BRB?

Por enquanto, as versões só indicam que a verdade ainda parece ser um ativo em liquidação.

Fonte: apublica.org

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