prometem – News Rio https://newsrio.com.br Notícias do RIo Fri, 21 Nov 2025 10:05:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://newsrio.com.br/wp-content/uploads/2026/03/272x90-150x90.png prometem – News Rio https://newsrio.com.br 32 32 Remédios sem hormônio prometem aliviar fogachos na menopausa https://newsrio.com.br/2025/11/21/remedios-sem-hormonio-prometem-aliviar-fogachos-na-menopausa/ Fri, 21 Nov 2025 10:05:44 +0000 https://newsrio.com.br/2025/11/21/remedios-sem-hormonio-prometem-aliviar-fogachos-na-menopausa/

Durante décadas, o tratamento dos sintomas da menopausa, especialmente as ondas de calor (os famosos fogachos), girou em torno exclusivamente da terapia de reposição hormonal.

Mas isso começa a mudar com a chegada de uma geração de medicamentos não hormonais, desenvolvidos para atuar diretamente nos mecanismos cerebrais que controlam a temperatura corporal. Essa mudança promete oferecer alívio a mulheres que não podem ou não querem usar hormônios nessa fase.

O primeiro representante dessa classe é o fezolinetanto, aprovado em 2023 pela Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos. Em vez de repor o estrogênio, ele atua sobre o centro termorregulador do cérebro, bloqueando a neurocinina 3, um neurotransmissor que se desregula quando os níveis de estrogênio caem.

“Quando o estrogênio diminui, o sistema que regula a temperatura corporal perde o equilíbrio e fica hiperestimulado. O fezolinetanto atua justamente nesse ponto, sem exercer nenhuma ação nos outros sintomas da menopausa. Por isso, ele não substitui os outros benefícios da terapia hormonal”, observa a ginecologista e nutróloga Alessandra Bedin, do Einstein Hospital Israelita.

Em estudos clínicos com mais de 3 mil mulheres, o fezolinetanto reduziu em 64% a intensidade dos fogachos e em 60% a frequência das ondas de calor após três meses de uso, melhora que começou a ser percebida já nos primeiros dias. O medicamento é administrado por via oral, uma vez ao dia, e mostrou boa tolerabilidade, com efeitos colaterais leves.

O ponto de atenção está no risco raro de lesão hepática, razão pela qual é preciso fazer um monitoramento das enzimas do fígado durante o tratamento. “O metabolismo hepático dessa medicação é alto. Então, quando estiver disponível no Brasil, teremos que monitorar essas enzimas. Mulheres com algum problema de fígado não devem usá-la”, alerta Bedin.

Desenvolvido pela farmacêutica japonesa Astellas, o fezolinetanto já está disponível em 14 países. A fabricante submeteu a medicação à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também em 2023, mas ainda aguarda autorização para comercialização no Brasil.

Definida pela interrupção definitiva da ovulação, a menopausa é a última menstruação, e ocorre entre os 45 e os 55 anos

Em outubro de 2025, a FDA aprovou o elinzanetant, da farmacêutica alemã Bayer. Ele é considerado um antagonista duplo, ou seja, bloqueia tanto o receptor de neurocinina 3 quanto o de neurocinina 1, ação que potencializa os benefícios. O medicamento também atua na modulação da via termorreguladora, restaurando o equilíbrio da resposta térmica no organismo sem a necessidade de reposição hormonal.

Nos estudos clínicos, o medicamento demonstrou uma redução significativa tanto na frequência quanto na intensidade dos sintomas vasomotores nas primeiras 12 semanas de tratamento, em comparação ao placebo. Além disso, as participantes relataram melhora no sono e na qualidade de vida relacionada à menopausa. De acordo com a farmacêutica, já foi enviado à Anvisa um pedido para registro do elinzanetant no Brasil.

Quando os hormônios não são opção

A terapia de reposição hormonal continua sendo o padrão ouro no tratamento dos sintomas da menopausa. No entanto, ela não é indicada para todo mundo — pessoas com histórico de câncer de mama, trombose ou doenças hepáticas devem evitá-la. Outras preferem não usar hormônios e recorrem normalmente a terapias alternativas, como acupuntura e uso de fitoterápicos para lidar com os sintomas indesejados.

O receio do uso da terapia hormonal existe desde publicação do Women’s Health Initiative (WHI), um estudo publicado em 2002 que associou o uso prolongado de hormônios combinados a uma maior probabilidade de câncer e eventos cardiovasculares. Mesmo após revisões mostrarem que esses riscos variam conforme a idade e o tipo de hormônio, o estigma permaneceu.

“Ainda há resistência na indicação da terapia hormonal, inclusive entre ginecologistas”, pontua Alessandra Bedin.

Isso ganha ainda mais relevância diante dos impactos dos fogachos. Um estudo brasileiro publicado em 2022 na revista Climateric mostra que 73% das mulheres na menopausa relatam ondas de calor, mas apenas 52% fazem algum tratamento. Destas, somente 22% recorrem à reposição hormonal. Além disso, muitas interrompem o uso de hormônios em menos de um ano, geralmente por efeitos colaterais.

Segundo Bedin, a chegada desses medicamentos representa uma mudança significativa na forma de tratar a menopausa. Embora não substituam a terapia de reposição hormonal, que continua sendo indicada para quem pode usá-la, eles ampliam as opções, permitindo um tratamento mais personalizado e seguro.

“Até pouco tempo, não tínhamos nenhuma opção. Quando a mulher não podia usar hormônio, era como se disséssemos: ‘senta e chora’. Agora temos uma saída. Essa nova geração de medicamentos vem oferecer uma alternativa para uma demanda que não tinha solução tão eficaz”, analisa a médica do Einstein.

Enquanto essas medicações aguardam aprovação no Brasil, Bedin ressalta que o estilo de vida saudável — com alimentação equilibrada, sono regular e prática de atividade física — continua sendo essencial para controle dos sintomas da menopausa.

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Fonte: www.metropoles.com

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Mouses ergonômicos prometem prevenir lesões por esforço repetitivo https://newsrio.com.br/2025/09/19/mouses-ergonomicos-prometem-prevenir-lesoes-por-esforco-repetitivo/ Fri, 19 Sep 2025 21:14:53 +0000 https://newsrio.com.br/2025/09/19/mouses-ergonomicos-prometem-prevenir-lesoes-por-esforco-repetitivo/

Lesões por esforço repetitivo, ou LER, são um problema crescente entre quem passa muitas horas em frente ao computador. Caracterizam-se pelo desgaste físico causado por movimentos repetidos, postura inadequada e ausência de pausas  — fatores que podem levar a dores, inflamações e dificuldade de mobilidade. Para diminuir as consequências da LER, pesquisadores propõem uma nova geração de mouse com design inovador.

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Um estudo publicado na edição de setembro a outubro de 2025 da revista ACM Interactions, apresentou dois protótipos de mouses projetados para reduzir tensões no punho: o Fleximouse, com corpo maleável, e o modelo em A-frame (estrutura em “A”), que se sustenta mais ereto.

O Fleximouse permite ao usuário mover o cursor alterando a pegada em vez de arrastar o dispositivo sobre a mesa, enquanto o A-frame favorece uma postura menos forçada, o que estimula tensão e fadiga.

Pesquisadores construíram dois protótipos de mouses de computador projetados para reduzir lesões no pulso, um com corpo flexível e outro com design em formato de A

O que é LER e como se manifesta

Conforme definição do Ministério da Saúde, LER é uma lesão causada por atividades repetitivas contínuas — digitar, usar mouse, costurar, etc. — quando há incompatibilidade entre a tarefa e a capacidade física do corpo.

Sintomas típicos da LER

  • Dor nos punhos e antebraços, principalmente após uso prolongado do computador.
  • Sensação de formigamento ou “branquear” nos dedos, especialmente polegar, indicador e médio.
  • Cansaço fácil ou sensação de peso nas mãos mesmo com tarefas leves.
  • Dificuldade de segurar objetos ou realizar movimentos que antes eram simples.
  • Perda de força, rigidez nas articulações dos dedos, pulsos, cotovelos.

Como prevenir a LER

  • Fazer pausas regulares: a cada 25 a 50 minutos de digitação ou uso de mouse, dar uma parada para alongar ou movimentar o corpo.
  • Manter postura correta: costas apoiadas, ombros relaxados, pulsos em linha reta (evitando flexão ou extensão excessiva), pés firmes no chão.
  • Ajuste adequado de mesa, cadeira e monitor: altura do monitor entre 50-70 cm de distância, ângulo correto, assento ajustável para evitar pressão na parte interna dos joelhos.

Segundo os pesquisadores, os novos mouses surgem como complemento importante: ao evitar que o dispositivo seja levantado ou reposicionado frequentemente, ou que o pulso fique em postura forçada, podem diminuir significativamente a probabilidade de dor e lesão. No estudo, estudantes que usaram os protótipos relataram menos necessidade de reposicionar o pulso e menor desconforto.

Embora não sejam solução definitiva, os mouses com design flexível ou posturas alternativas podem representar avanço relevante no combate à LER. Unindo prevenção comportamental, ajustes ergonômicos no ambiente de trabalho e inovação tecnológica, é possível reduzir dores e prolongar a saúde física de quem vive conectado.

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Fonte: www.metropoles.com

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Anéis que prometem medir glicose são proibidos pela Anvisa https://newsrio.com.br/2025/09/03/aneis-que-prometem-medir-glicose-sao-proibidos-pela-anvisa/ Wed, 03 Sep 2025 13:43:56 +0000 https://newsrio.com.br/2025/09/03/aneis-que-prometem-medir-glicose-sao-proibidos-pela-anvisa/

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda de anéis que prometem medir glicose apenas com o contato com a pele. A medida, publicada nessa terça-feira (2/8), veta também fabricação, importação, propaganda e uso dos dispositivos.

Entre os produtos estão os modelos Anel para Acupressão Glucomax, Glicomax, Glucomax e Glucomax Pro. Todos eram vendidos em plataformas digitais e redes sociais por até R$ 170. Nenhum possui registro sanitário, requisito básico para a comercialização de equipamentos de saúde no Brasil.

Para uma medição adequada de glicose, é necessário ter contato com uma amostra de sangue, que é como operam os glicosímetros. Os anéis usavam apenas dois ímãs — um em cada ponta — para, segundo os fabricantes, fazer a medicação não só do açúcar no sangue, mas também a oxigenação e a atividade cardíaca. Em alguns casos, anúncios afirmavam que eles também eram capazes de fazer drenagem linfática.

A Anvisa aponta que os anúncios utilizavam imagens de celebridades para atrair consumidores. A agência alertou que equipamentos sem registro não oferecem garantia de segurança ou eficácia e podem representar riscos graves para pacientes que dependem de medições precisas.

Falso medidor de glicose foi proibido também nos EUA

O alerta brasileiro segue recomendação semelhante da Food and Drug Administration (FDA), autoridade regulatória dos Estados Unidos, emitida em fevereiro de 2024. A agência norte-americana já havia comunicado que não aprovou relógios ou anéis inteligentes para medição de glicemia.

De acordo com a FDA, resultados incorretos podem levar a erros de tratamento em pessoas com diabetes. “Doses excessivas de insulina ou de outros medicamentos podem reduzir rapidamente o nível de glicose no sangue, causando confusão mental, coma e até morte”, afirmou a agência dos EUA. Os equipamentos, segundo as autoridades, oferecem ilusão de monitoramento confiável.

Mercado irregular e recomendações de denúncia

No Brasil, a Anvisa orienta consumidores a não adquirir os anéis e denunciar sua comercialização. As denúncias podem ser feitas pela Ouvidoria ou pelo telefone 0800 642 9782. O objetivo é coibir a circulação de produtos que se aproveitam da vulnerabilidade de pacientes.

A agência lembra que apenas equipamentos autorizados passam por avaliação rigorosa de qualidade, desempenho e segurança. Sem esse processo, não há garantia de que a medição indicada corresponda à realidade, o que compromete diretamente o tratamento clínico.

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A diabetes é uma doença que tem como principal característica o aumento dos níveis de açúcar no sangue. Grave e, durante boa parte do tempo, silenciosa, ela pode afetar vários órgãos do corpo, tais como: olhos, rins, nervos e coração, quando não tratada

Oscar Wong/ Getty Images

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A diabetes surge devido ao aumento da glicose no sangue, que é chamado de hiperglicemia. Isso ocorre como consequência de defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas

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A função principal da insulina é promover a entrada de glicose nas células, de forma que elas aproveitem o açúcar para as atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação ocasiona o acúmulo de glicose no sangue, que em circulação no organismo vai danificando os outros órgãos do corpo

Peter Dazeley/ Getty Images

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Uma das principais causas da doença é a má alimentação. Dietas ruins baseadas em alimentos industrializados e açucarados, por exemplo, podem desencadear diabetes. Além disso, a falta de exercícios físicos também contribui para o mal

Peter Cade/ Getty Images

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A diabetes pode ser dividida em três principais tipos. A tipo 1, em que o pâncreas para de produzir insulina, é a tipagem menos comum e surge desde o nascimento. Os portadores do tipo 1 necessitam de injeções diárias de insulina para manter a glicose no sangue em valores normais

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Já a diabetes tipo 2 é considerada a mais comum da doença. Ocorre quando o paciente desenvolve resistência à insulina ou produz quantidade insuficiente do hormônio. O tratamento inclui atividades físicas regulares e controle da dieta

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A diabetes gestacional acomete grávidas que, em geral, apresentam histórico familiar da doença. A resistência à insulina ocorre especialmente a partir do segundo trimestre e pode causar complicações para o bebê, como má formação, prematuridade, problemas respiratórios, entre outros

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Além dessas, existem ainda outras formas de desenvolver a doença, apesar de raras. Algumas delas são: devido a doenças no pâncreas, defeito genético, por doenças endócrinas ou por uso de medicamento

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É comum também a utilização do termo pré-diabetes, que indica o aumento considerável de açúcar no sangue, mas não o suficiente para diagnosticar a doença

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Os sintomas da diabetes podem variar dependendo do tipo. No entanto, de forma geral, são: sede intensa, urina em excesso e coceira no corpo. Histórico familiar e obesidade são fatores de risco

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Alguns outros sinais também podem indicar a presença da doença, como saliências ósseas nos pés e insensibilidade na região, visão embaçada, presença frequente de micoses e infecções

Peter Dazeley/ Getty Images

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O diagnóstico é feito após exames de rotina, como o teste de glicemia em jejum, que mede a quantidade de glicose no sangue. Os valores de referência são: inferior a 99 mg/dL (normal), entre 100 a 125 mg/dL (pré-diabetes), acima de 126 mg/dL (Diabetes)

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Qualquer que seja o tipo da doença, o principal tratamento é controlar os níveis de glicose. Manter uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios ajudam a manter o peso saudável e os índices glicêmicos e de colesterol sob controle

Oscar Wong/ Getty Images

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Quando a diabetes não é tratada devidamente, os níveis de açúcar no sangue podem ficar elevados por muito tempo e causar sérios problemas ao paciente. Algumas das complicações geradas são surdez, neuropatia, doenças cardiovasculares, retinoplastia e até mesmo depressão

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Fonte: www.metropoles.com

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As estratégias que prometem ajudar a ter 'força de vontade infinita' https://newsrio.com.br/2025/08/02/as-estrategias-que-prometem-ajudar-a-ter-forca-de-vontade-infinita/ Sat, 02 Aug 2025 04:07:43 +0000 https://newsrio.com.br/2025/08/02/as-estrategias-que-prometem-ajudar-a-ter-forca-de-vontade-infinita/

Muitas pessoas acreditam que a força de vontade é fixa e finita. Mas podemos fazê-la crescer com a ajuda de diversas estratégias poderosas
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Todos nós enfrentamos dias difíceis que parecem surgir para testar o nosso autocontrole.
Digamos que você seja um barista, por exemplo, e alguns de seus clientes são particularmente grosseiros e exigentes, mas você consegue manter a elegância ao atendê-los.
Ou você pode estar terminando um projeto importante e precisa ficar concentrado em silêncio, sem desviar sua atenção e sem distrações.
Se você estiver de dieta, talvez você tenha passado as últimas horas resistindo ao pote de biscoitos.
Em cada um desses casos, você fez uso da sua força de vontade – a capacidade de evitar tentações de curto prazo e ignorar pensamentos, impulsos ou sentimentos indesejados, como definem os psicólogos.
Aparentemente, algumas pessoas têm reservas de força de vontade muito maiores do que outras. Elas têm mais facilidade de controlar suas emoções, evitar a procrastinação e permanecer fiéis aos seus objetivos, sempre parecendo controlar com mão de ferro o seu comportamento.
De fato, talvez você conheça alguns sortudos que, depois de um dia de trabalho duro, ainda encontram motivação para fazer algo produtivo, como exercícios físicos.
Nossas reservas de autocontrole e concentração mental são aparentemente moldadas pela mentalidade.
E estudos recentes sugerem estratégias poderosas para que qualquer pessoa consiga aumentar sua força de vontade, com imensos benefícios para a produtividade, saúde e felicidade.
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Esvaziar o ego
Até pouco tempo atrás, a teoria psicológica predominante afirmava que a força de vontade seria como uma espécie de bateria.
Você pode começar o dia com carga total, mas, sempre que precisa controlar seus pensamentos, comportamentos ou sentimentos, você gasta um pouco da energia daquela bateria.
Sem a possibilidade de descansar e recarregar, esses recursos ficam perigosamente baixos, dificultando muito manter sua paciência, concentração e resistência às tentações.
Testes de laboratório aparentemente forneceram provas deste processo. Depois de pedir aos participantes que resistissem à tentação de comer biscoitos mantidos sobre uma mesa, por exemplo, eles exibiam menos persistência para resolver um problema matemático, pois suas reservas de força de vontade haviam se esgotado.
Partindo do termo freudiano que designa a parte da mente que é responsável por controlar nossos impulsos, este processo é conhecido como “esgotamento do ego”.
As pessoas com forte autocontrole podem ter maiores reservas iniciais de força de vontade, mas até elas acabam se esgotando quando colocadas sob pressão.
Mas, em 2010, a psicóloga Veronika Job publicou um estudo questionando as bases desta teoria. Ela apresentou evidências fascinantes de que o esgotamento do ego depende das crenças subjacentes das pessoas.
Job é professora de psicologia da motivação da Universidade de Viena, na Áustria. Ela começou o estudo elaborando um questionário para que os participantes avaliassem uma série de afirmações, seguindo uma escala de 1 (concordo totalmente) a 6 (discordo totalmente). As questões incluíram:
• Quando as situações que desafiam você com tentações se acumulam, fica cada vez mais difícil resistir a essas tentações.
• A atividade mental intensa esgota os seus recursos e você precisa reabastecer-se em seguida.
• Quando você acaba de resistir a uma forte tentação, você se sente fortalecido e pode suportar novas tentações.
• Sua resistência mental alimenta a si própria. Mesmo depois de um esforço mental extenuante, você consegue continuar fazendo mais.
Se você se identifica mais com as duas primeiras afirmações, considera-se que você tem uma visão “limitada” da força de vontade. Mas, se você concorda mais com as duas últimas afirmações, sua visão da força de vontade é considerada “ilimitada”.
Em seguida, Job forneceu aos participantes do estudo alguns testes padrão de laboratório para examinar sua concentração mental, considerando que a concentração depende das nossas reservas de força de vontade.
Job concluiu que o desempenho das pessoas com mentalidade limitada costuma ser exatamente igual ao que seria previsto pela teoria do esgotamento do ego.
Depois de realizarem uma tarefa que exigia intensa concentração (como a correção trabalhosa de um texto maçante), elas acharam muito mais difícil prestar atenção em uma atividade subsequente do que se tivessem descansado antes.
Já as pessoas com visão ilimitada não demonstravam sinais de esgotamento do ego. Elas não exibiam declínio da sua concentração mental depois de realizarem uma atividade mentalmente exaustiva.
Aparentemente, a mentalidade dos participantes do estudo sobre a força de vontade era uma profecia autorrealizável. Se eles acreditassem que sua força de vontade se esgotava facilmente, sua capacidade de resistir a tentações e distrações se dissolvia com rapidez. Mas, se eles acreditassem que “a resistência mental se autoalimenta”, era exatamente o que acontecia.
Job rapidamente reproduziu estes resultados em outros contextos. Trabalhando em conjunto com Krishna Savani, da Universidade Tecnológica Nanyang, em Singapura, ela demonstrou que as crenças sobre a força de vontade aparentemente variam de um país para outro.
Eles concluíram que a mentalidade ilimitada é mais comum entre estudantes indianos do que nos Estados Unidos, o que foi refletido em exames da resistência mental.
Nos últimos anos, alguns cientistas questionaram a confiabilidade dos testes de laboratório de esgotamento do ego. Mas Job também demonstrou que a mentalidade das pessoas sobre a força de vontade apresenta relação com muitos cenários da vida real.
Ela pediu a estudantes universitários que preenchessem questionários sobre suas atividades, duas vezes por dia, ao longo de dois períodos semanais não consecutivos. E, como se poderia esperar, alguns dias eram muito mais difíceis do que outros, gerando sentimentos de exaustão.
A maioria dos participantes recuperava-se até certo ponto durante a noite, mas os que tinham mentalidade ilimitada realmente verificavam aumento da sua produtividade no dia seguinte, como se tivessem sido energizados pelo aumento da pressão.
Novamente, parece que sua crença de que “a resistência mental alimenta a si própria” havia se tornado sua realidade.
Outros estudos demonstraram que a mentalidade sobre a força de vontade pode prever os níveis de procrastinação dos estudantes antes dos exames e suas notas finais.
Os participantes com visão ilimitada desperdiçavam menos tempo. E, ao enfrentar a alta pressão das suas aulas, os estudantes com visão ilimitada também apresentaram melhor capacidade de manter o autocontrole em outras áreas da vida. Eles demonstravam menos propensão a comer bobagens ou gastar por impulso, por exemplo.
Já os que acreditavam que sua força de vontade se esgotava facilmente com seu trabalho eram mais propensos a cometer esses vícios, talvez porque sentissem que suas reservas de autocontrole já haviam sido esgotadas pelo trabalho acadêmico.
A influência da mentalidade sobre a força de vontade também pode estender-se a muitos domínios, como os exercícios físicos.
Navin Kaushal, professor de ciências da saúde da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e seus colegas demonstraram que a mentalidade pode influenciar os hábitos de exercícios das pessoas.
Aquelas que têm crenças ilimitadas sobre a força de vontade, por exemplo, têm mais facilidade de reunir a motivação para exercitar-se.
E um estudo da professora de psicologia Zoë Francis, da Universidade de Fraser Valley, no Canadá, chegou a resultados surpreendentemente similares.
Depois de acompanhar mais de 300 participantes ao longo de três semanas, ela concluiu que pessoas com mentalidade ilimitada apresentam maior disposição para exercitar-se e menos propensão a comer bobagens do que as pessoas com mentalidade limitada.
É algo revelador que essas diferenças sejam particularmente pronunciadas à noite, quando as exigências das tarefas diárias começaram a cobrar a conta daqueles que acreditam que seu autocontrole pode esgotar-se facilmente.
Como aumentar a força de vontade
Se você já tiver mentalidade ilimitada sobre a força de vontade, estas conclusões podem deixar você satisfeito. Mas o que podemos fazer se vivemos acreditando que nossas reservas de autocontrole se esgotam facilmente?
Os estudos de Job indicam que simplesmente aprender sobre estes estudos científicos de ponta, lendo textos curtos e acessíveis, pode ajudar a mudar a crença das pessoas, pelo menos no curto prazo.
Aparentemente, conhecimento é poder. Se isso for verdade, a simples leitura desta reportagem pode já ter começado a fortalecer sua resistência mental.
Você pode acelerar este processo contando a outras pessoas o que você aprendeu. Pesquisas indicam que compartilhar informações ajuda a consolidar a nossa própria mudança de mentalidade. Este fenômeno é conhecido como o efeito “falar é acreditar” e também ajuda a disseminar o comportamento positivo entre as pessoas.
As lições sobre a natureza ilimitada da força de vontade podem ser aprendidas desde a infância.
Pesquisadores da Universidade Stanford e da Universidade da Pensilvânia, ambas nos Estados Unidos, elaboraram recentemente um livro infantil para ensinar às crianças em idade pré-escolar a ideia de que exercitar a força de vontade pode ser energizante, e não exaustivo, e que o autocontrole pode aumentar quanto mais o praticarmos.
As crianças que ouviram a história demonstraram maior autocontrole em um teste de “gratificação postergada” que foi aplicado em seguida, em comparação com seus colegas que haviam ouvido uma história diferente.
O teste ofereceu a elas a possibilidade de dispensar um pequeno presente no momento para receber um brinde maior posteriormente.
Uma estratégia útil para mudar sua mentalidade pode ser relembrar uma ocasião em que você trabalhou em uma tarefa mentalmente desgastante pelo puro prazer da atividade.
Pode ter sido uma tarefa no trabalho, por exemplo, que outras pessoas aparentemente achavam difícil, mas que você achou gratificante. Ou, talvez, um hobby, como aprender uma nova música no piano, que exige intensa concentração, mas parece simples para você.
Um estudo recente concluiu que praticar este tipo de recordação altera naturalmente as crenças das pessoas em direção à mentalidade ilimitada, já que elas conseguem ver provas da sua própria resistência mental.
Para obter mais evidências, você pode começar com pequenos testes de autocontrole que tragam uma mudança desejada na sua vida – como evitar comer bobagens por duas semanas, afastar-se das redes sociais durante o trabalho ou demonstrar mais paciência com um ente querido irritante, por exemplo.
Depois de provar a si próprio que a sua força de vontade pode aumentar, pode ficar mais fácil resistir a outros tipos de tentação ou distrações.
Você não pode esperar que aconteça um milagre imediatamente. Mas, com perseverança, você deve observar sua mudança de mentalidade e, com ela, o aumento da capacidade de controlar seus pensamentos, sensações e comportamento. Assim, suas ações irão impulsionar você rumo aos seus objetivos.
* David Robson é escritor de ciências e autor do livro O efeito da expectativa: como o seu pensamento pode transformar sua vida (em tradução livre do inglês), publicado no Reino Unido pela editora Canongate e, nos EUA, pela Henry Holt. Sua conta no Twitter é @d_a_robson.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Worklife.

Fonte: g1.globo.com

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