quinta-feira, maio 7, 2026
HomeEsporteIrã diz que não vai à Copa do Mundo de 2026

Irã diz que não vai à Copa do Mundo de 2026

Date:

Publicidade

spot_img

Relacionados

spot_imgspot_img
Irã diz que não vai à Copa do Mundo de 2026

Em uma reviravolta dramática para o cenário esportivo global, o Irã decidiu que não disputará a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México. A confirmação oficial do boicote foi feita pelo ministro dos Esportes e Juventude do país, Ahmad Donyamali, que citou o conflito militar  com os Estados Unidos e Israel, assim como sérios impasses envolvendo vistos e questões culturais, como as causas definitivas para a ausência da seleção iraniana no principal torneio de futebol do planeta.

De acordo com Donyamali, as recentes tensões no Oriente Médio, que se agravaram severamente, tornaram a participação iraniana “absolutamente impossível”. O ministro enfatizou que a nação enfrentou operações militares que resultaram em milhares de mortes na região. “Após o governo corrupto ter matado o nosso líder, não há condições que nos permitam participar na Copa do Mundo”, declarou o ministro. A fala faz referência direta ao ataque conjunto dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, que resultou na morte do então líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

Além do impacto direto da guerra, a diplomacia esportiva esbarrou em graves obstáculos logísticos e imigratórios impostos pelas autoridades norte-americanas. Dirigentes do futebol iraniano alertaram que diversos jogadores e membros da comissão técnica poderiam ter a entrada nos Estados Unidos barrada. O pretexto seria a prestação de serviço militar obrigatório no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), organização militar criticada e visada por Washington.

Reforçando essa preocupação, o próprio presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, e outros cartolas de alto escalão tiveram seus vistos negados recentemente para comparecer ao sorteio da Copa do Mundo. Diante disso, Donyamali criticou duramente a postura americana, acusando o país anfitrião de agir com “má-fé”.

Outro fator cultural decisivo  para o boicote é a realização da chamada Pride Match (Partida do Orgulho) na cidade de Seattle. O confronto do Irã contra a seleção do Egito, que estava previsto para ocorrer em junho de 2026, coincidiria com o fim de semana do Orgulho LGBTQ+ na cidade americana. Agências ligadas ao governo também demonstraram irritação com rumores de que o uso de braçadeiras com as cores do arco-íris seria obrigatório, afirmando que isso cruzaria as “linhas vermelhas” estipuladas pelas autoridades iranianas.

A desistência do Irã afeta de forma direta o Grupo G do Mundial, no qual a seleção asiática enfrentaria Egito, Nova Zelândia e Bélgica, com todos os seus compromissos agendados para ocorrerem em cidades dos EUA. Embora o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenha se reunido com o presidente dos EUA, Donald Trump, e ambos tenham garantido que a seleção do Irã seria muito bem-vinda na competição, a retórica amigável não foi suficiente para reverter a decisão. Agora, a Fifa se depara com o desafio burocrático de reorganizar a competição e as chaves, possivelmente repassando a vaga em aberto para outras seleções, como os Emirados Árabes Unidos ou o Iraque.

Fonte: veja.abril.com.br