
A turbulenta saída de Filipe Luís do Flamengo, anunciada na manhã de terça-feira, 3, não ficou restrita aos gramados e ganhou contornos políticos. Em menos de uma semana, deputados de campos opostos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) protocolaram propostas praticamente espelhadas de concessão do título de benemérito: uma para o ex-técnico, outra para o presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, responsável por sua demissão.
O primeiro movimento partiu da deputada Zeidan (PT), que, em projeto publicado no dia 11 de março, destacou a trajetória de ex-treinador e ídolo do clube no futebol mundial e sua importância nas conquistas recentes do Flamengo. “Além do desempenho dentro de campo, Filipe Luís destacou-se pela postura exemplar, profissionalismo e liderança, sendo referência para companheiros e inspiração para jovens atletas”, justificou.
Uma semana depois, em 18 de março, foi a vez de o deputado e presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), mirar Bap. Na proposta, o parlamentar amplia o argumento para a homenagem ao defender que a gestão do dirigente ultrapassa o universo esportivo e projeta o estado. “A gestão responsável e tecnicamente orientada conduzida por Bap reforça práticas profissionais que influenciam positivamente outros clubes e instituições”, escreveu.
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A sequência de iniciativas, embora formalmente independentes, gera curiosidade, especialmente pelo contexto. A demissão de Filipe Luís, anunciada horas após a goleada por 8 a 0 sobre o Madureira, pela semifinal do Campeonato Carioca, pegou a torcida de surpresa e foi cercada de controvérsias. Em áudio vazado após o anúncio, Bap assumiu a responsabilidade pela troca no comando e justificou a intervenção: “Acredito que, pelo conjunto das coisas que estavam sendo feitas, a gente não estava indo na direção que julgo adequada para a instituição”.
Fonte: veja.abril.com.br




