sexta-feira, abril 17, 2026
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Remédios para Alzheimer não trazem benefício relevante, diz pesquisa

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Medicamentos contra Alzheimer amplamente divulgados nos últimos anos podem não trazer um melhora significativa para os pacientes. Uma revisão sistemática realizada pela Cochrane, publicada nesta quinta-feira (16/4), concluiu que os anticorpos monoclonais contra beta-amiloide, apesar de removerem a proteína do cérebro, apresentam efeito pequeno ou inexistente na memória, no raciocínio e na progressão da doença em pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve.

O estudo reuniu dados de 17 ensaios clínicos, com 20.342 participantes, e avaliou nove medicamentos diferentes da mesma classe. A conclusão revelou que a redução das placas de amiloide não se traduziu em benefício clínico relevante para os pacientes.

Foram incluídos apenas ensaios que compararam os medicamentos com placebo em pessoas nas fases iniciais da doença. A maioria dos participantes tinham entre 70 e 74 anos, e todos os estudos haviam sido financiados por empresas farmacêuticas.

Os autores avaliaram desfechos essenciais, como memória, cognição, gravidade da demência, autonomia no dia a dia e efeitos adversos. Além da significância estatística, também foi analisado se os resultados tinham impacto perceptível na vida dos pacientes.

Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas
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PM Images/ Getty Images

Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
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Andrew Brookes/ Getty Images

Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
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Westend61/ Getty Images

Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
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urbazon/ Getty Images

Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
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OsakaWayne Studios/ Getty Images

Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
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Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença
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Rossella De Berti/ Getty Images

O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida
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Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images

 Efeito mínimo de remédios

Após cerca de 18 meses de acompanhamento, os medicamentos mostraram “pouca ou nenhuma diferença” na gravidade da demência. Em relação à cognição, a conclusão foi semelhante: os tratamentos “provavelmente fazem pouca ou nenhuma diferença”.

A capacidade de realizar atividades do dia a dia também não apresentou melhora relevante na maioria dos estudos. Houve apenas um sinal discreto de benefício em tarefas mais complexas, como administrar dinheiro ou tomar medicamentos, mas com baixo grau de certeza.


Remédios avaliados na revisão

  • Aducanumabe;
  • Bapineuzumabe;
  • Crenezumabe;
  • Donanemabe;
  • Gantenerumabe;
  • Lecanemabe;
  • Ponezumabe;
  • Remternetug;
  • Solanezumabe.

No resumo técnico, os autores classificaram o efeito como “trivial” para cognição e gravidade da doença, e “pequeno, na melhor das hipóteses” para a funcionalidade.

A revisão também identificou aumento de alterações cerebrais detectadas em exames. O inchaço cerebral ocorreu em 119 a cada 1.000 pacientes tratados, contra 12 a cada 1.000 no grupo placebo.

Houve também a elevação de pequenos sangramentos no cérebro. Por outro lado, não foi observado aumento de mortes ou de eventos adversos graves em geral.

De acordo com a revisão em questão, remover placas de amiloide não garante melhora clínica significativa. Ou seja, mesmo quando o medicamento funciona no cérebro, o paciente pode não sentir diferença relevante no dia a dia.

Para os autores, os resultados indicam que o tratamento do Alzheimer provavelmente precisa ir além da estratégia focada apenas no amiloide — e que ainda há uma necessidade urgente de terapias mais eficazes.

Fonte: www.metropoles.com