quarta-feira, abril 29, 2026
HomeSaúdeColesterol achado em células do cérebro agrava memória, diz estudo

Colesterol achado em células do cérebro agrava memória, diz estudo

Date:

Publicidade

spot_img

Relacionados

spot_imgspot_img

O excesso de colesterol em astrócitos — células que ajudam a proteger e sustentar o cérebro — pode piorar falhas de memória ligadas ao Alzheimer.

A conclusão é de um estudo publicado em 15 de abril na revista Nature Neuroscience, que identificou como alterações nessas células afetaram o sistema de limpeza cerebral e o desempenho cognitivo em camundongos com características da doença.

A pesquisa foi liderada por cientistas da Sun Yat-sen University e do Sun Yat-sen Memorial Hospital, ambos na china. Segundo os autores, o trabalho sugere que mecanismos ligados ao colesterol em astrócitos podem se tornar alvo de futuras terapias para fases iniciais do Alzheimer.

O que são astrócitos

Astrócitos são células abundantes no cérebro e fazem parte do grupo chamado glia. Eles ajudam a nutrir neurônios, controlar o ambiente químico cerebral e participar da circulação de líquidos que removem resíduos metabólicos.

Nos últimos anos, cientistas passaram a estudar com mais atenção o papel dessas células em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. A pesquisa foi feita com camundongos do modelo 5xFAD, amplamente usado em estudos sobre Alzheimer, por desenvolver placas de beta-amiloide e prejuízo cognitivo precoce.

Observou-se, nos animais, atividade anormalmente elevada de cálcio em astrócitos localizados no córtex pré-frontal medial, área ligada à memória, à tomada de decisões e funções cognitivas superiores.

Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas
1 de 8

Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas

PM Images/ Getty Images

Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
2 de 8

Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

Andrew Brookes/ Getty Images

Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
3 de 8

Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce

Westend61/ Getty Images

Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
4 de 8

Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano

urbazon/ Getty Images

Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
5 de 8

Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença

OsakaWayne Studios/ Getty Images

Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
6 de 8

Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

Kobus Louw/ Getty Images

Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença
7 de 8

Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença

Rossella De Berti/ Getty Images

O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida
8 de 8

O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images

Como o colesterol entrou na história

De acordo com os autores, a hiperatividade de cálcio estimulou maior produção de colesterol dentro dos astrócitos. Na sequência, o colesterol alterou o comportamento da proteína aquaporina-4 (AQP4), importante para o fluxo de água e para o funcionamento do sistema glinfático — rede responsável por ajudar a eliminar resíduos do cérebro durante o repouso. Com a AQP4 deslocada, o sistema perdeu eficiência.

Segundo o estudo, a piora do sistema glinfático dos animais foi acompanhada por prejuízo cognitivo. Em outras palavras, os camundongos com essas alterações apresentaram desempenho inferior em testes comportamentais usados para medir a memória e a cognição.

Os cientistas puseram em prática estratégias para reduzir a produção de colesterol nos astrócitos. Entre elas, o bloqueio da enzima squalene epoxidase e o uso de atorvastatina. Após as intervenções, houve melhora da perfusão glinfática, da drenagem linfática meníngea e da performance cognitiva dos animais.

Conforme o estudo:

  1. O colesterol cerebral pode ter papel mais ativo no Alzheimer do que se imaginava.
  2. Astrócitos ganharam destaque como alvo de tratamento.
  3. Melhorar a “limpeza” cerebral virou caminho promissor.

Os resultados vieram de experimentos em camundongos, o que exige cautela. Nem todo mecanismo observado em animais se repete da mesma forma em pessoas.

Por isso, serão necessários estudos clínicos para confirmar se controlar colesterol em astrócitos realmente pode retardar sintomas ou progressão do Alzheimer em humanos.

Fonte: www.metropoles.com