
No universo complexo da propriedade industrial no Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se encontra em uma posição peculiar. Embora seja a entidade máxima do futebol em nosso país, a CBF não figura entre as marcas consideradas de alto renome pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Essa classificação, que garante uma proteção especial e exclusividade em todos os ramos de atividade, é reservada a um grupo seleto de gigantes, como Google, Ferrari, Coca-Cola e Red Bull.
A legislação brasileira de propriedade industrial, detalhada no artigo 125 da Lei da Propriedade Industrial, estabelece que marcas registradas no Brasil e consideradas de alto renome possuem essa proteção especial. Isso significa que elas têm exclusividade sobre suas nomenclaturas, mesmo que outras empresas atuem em classes de atividade distintas. Atualmente, mais de cem marcas ostentam essa distinção no país.
Em contraste, a CBF, apesar de sua relevância inegável no esporte nacional, não desfruta desse privilégio. Essa decisão do INPI levanta questões sobre o reconhecimento e a proteção de marcas no cenário esportivo brasileiro. No entanto, o futebol não está completamente alheio a esse tipo de prestígio. O Flamengo, um dos clubes mais populares do país, figura nessa lista restrita, demonstrando que o sucesso e a força de uma marca no imaginário popular podem, sim, transcender as barreiras setoriais.
A situação atual é fruto de imbróglios que se arrastam há décadas e levanta debates importantes sobre o valor e a proteção das marcas no esporte. A questão é que, legalmente, não há qualquer irregularidade. A utilização de marcas é regida pelos registros em categorias distintas, e a concessão é individualizada para cada ramo de atividade. Contudo, a exclusividade para marcas de alto renome é uma exceção que confere um poder de proteção significativamente maior, algo que a CBF, por ora, não possui.
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