
Na ressaca midiática do UFC 327, em Miami, Paulo “Borrachinha” pegou uma onda improvável: passou a se projetar como uma espécie de espelho tropical de Donald Trump — ao menos na própria narrativa. O lutador não apenas capitalizou o elogio estético do presidente norte-americano (“bonito demais para ser lutador”), como tratou o encontro à beira do octógono quase como uma unção pop-política, alçando Trump ao posto de “pessoa mais importante do mundo”. Entre a vaidade assumida, a devoção acrítica e o discurso de “star power”, o mineiro não hesita em nocautear temas espinhosos enquanto distribui elogios ao presidente, como fez em conversa com a coluna GENTE.
Depois da luta no UFC 327, o seu momento com o Trump viralizou. Como reagiu com a repercussão? Eu fiquei feliz, contente, por estar tendo essa repercussão, porque é algo muito importante, né? Está sendo visto e lembrado por uma pessoa da magnitude, da importância, da relevância do presidente Trump. É talvez hoje a pessoa mais importante do mundo e mostrar satisfação e mostrar que ele ficou satisfeito com a minha performance e minha aparência são coisas que não é pra qualquer um. Ele nunca fez isso com nenhum lutador. Então, eu me achei privilegiado e agradeço a Deus por isso.
Ele te chamou de “bonito demais para ser lutador”. Ficou surpreso? Eu levei um pouco na brincadeira, sim, mas depois percebi que ele estava falando sério e falei “tá bom”. Eu também não me acho uma pessoa feia. Eu me acho bonito também, mas meu esporte toma muito o meu tempo. A Tamara (Alves), minha noiva, sempre está falando comigo para me cuidar um pouco melhor. Mas achei interessante (o elogio do Trump). Me surpreendeu muito e agradeci como deveria fazer.
Vocês conversaram ali na beira do octógono. O que dá pra contar desse papo? A gente conversou sobre o que ele tem feito em termos de política mundial. Eu elogiei. Disse que admirava muito. E ele agradeceu e falou ” é mesmo, você acompanha? Que bacana”. Ele elogiou a minha luta. Foi basicamente isso.
Vocês têm amigos em comum dentro do UFC ?Sim. Conheço algumas pessoas também fora do UFC. O Dana White não ajudou nessa aproximação. Ele é muito amigo dele, mas eu percebi que quando entrei no octógono, o braço direito do Dana White, que é o segundo do UFC hoje, que é o Hunter (Campbell) estava apontando para mim, falando alguma coisa para o Trump. Acredito que isso tenha ajudado de alguma forma. Acredito ele tenha recebido algumas observações positivas e talvez isso tenha ajudado a ele prestar um pouco mais de atenção em mim.
Você gosta do Trump como figura política? Também acha ele “bonito”? Admiro o Trump desde antes dele ser presidente, político. Quando ele fazia ainda “O Aprendiz”. Ele sempre foi uma pessoa muito enérgica, convicta, com uma elevada autoestima e não tende a ser politicamente correto, o que eu gosto muito. Eu acho que também sou assim. Sou um pouco disruptivo. Eu admiro pessoas que têm coragem de falar o que pensam e bancar as convicções pessoais. E ele faz muito bem isso. Então, é uma admiração. E também gosto dele como configura política. E penso semelhante a ele.
Esse tipo de exposição ajuda na sua carreira dentro do UFC? Ah, com certeza, né? Eu acho que esse tipo de exposição como uma figura mundial ajuda, como uma figura mundial do calibre dele… Quer dizer… A maior figura mundial, né? Ajuda, sim, dá relevância. Reafirma a minha trajetória, reafirma meu “star power”. Reafirma a minha relevância, a minha importância tanto dentro do esporte como no business de entretenimento geral. Até como figura pop isso ajuda. Então, é fenomenal. Eu só vejo pontos positivos. Eu acho que tem uns haters ou algumas pessoas que não gostam do Trump, mas acho que isso é o mínimo. Não afeta.
Quem você quer enfrentar agora? Tenho vários nomes em mente. Mas eu vou deixar para o UFC. Todo mundo sabe que eu tenho rivalidade com o (Khamzat) Chimaev. Se ele vencer o título contra o (Sean) Strickland pode ser uma opção.
Você está morando nos EUA. O que mais sente falta do Brasil? Eu passei muito tempo na Califórnia. Durante quase seis meses fiz um treinamento lá e voltei em Miami. Essa mudança impactou para melhor. Eu acho que eu tive bons resultados. Pude focar legal aqui no meu esporte. Evolui bastante contatos com pessoas incríveis. E minha vida fora do octógono é bem pacata. É academia, treinamento, passeio. De vez em quando, vou em lugares calmos, tranquilos. Não sou da noite. Gosto mais do lifestyle do dia, saudável. E o que eu mais sinto falta do Brasil são dos amigos e da comida.
Seu físico sempre chama atenção. Como é sua rotina de preparação física? Meu físico sempre chama muita atenção por ser um porte muito grande para um atleta de luta. Mas eu tenho uma rotina física muito intensa, disciplinada. Eu tento me exercitar todos os dias. Faço pilates, yoga, alongamentos, movimentos naturais com o corpo. Gosto de estar em contato com a natureza: corrida, pedalar, nadar. Sem falar da luta. Então, a rotina física é muito intensa e tem alguns segredinhos. Apenas estou mais experiente, mais inteligente.
Fonte: veja.abril.com.br




