
O sucesso de uma campanha pública pode depender menos da mensagem e mais do caminho escolhido para levá-la até a população. Uma pesquisa realizada em Rio das Ostras identificou que a televisão e as redes sociais continuam sendo os principais meios de informação utilizados pelos moradores e apontou que lideranças comunitárias e formas tradicionais de comunicação também têm papel decisivo para mobilizar a população em ações de interesse coletivo.
Intitulado “Disseminação da Educação Oceânica usando diferentes estratégias de comunicação em massa”, o artigo foi publicado na edição de 2026 da Revista de Ensino de Biologia da SBEnBio e apresenta um modelo de pesquisa volta à comunicação que pode ser adaptado a diferentes realidades.
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro e acaba de ser publicado na Revista de Ensino de Biologia da SBEnBio. A pesquisa ouviu moradores de áreas urbana, rural e periférica do município para compreender como eles acessam informações e quais canais apresentam melhores resultados na divulgação de ações de educação ambiental.
O levantamento mostrou que as redes sociais ocupam o primeiro lugar entre as fontes de informação da população, seguidas pela televisão. Apesar do crescimento das plataformas digitais, o estudo conclui que os meios tradicionais continuam exercendo forte influência na comunicação com a sociedade.
Outro resultado chamou a atenção dos pesquisadores. Em algumas comunidades, estratégias simples, como cartazes, grupos de WhatsApp, carros de som e, principalmente, o apoio de lideranças comunitárias, foram decisivas para ampliar a participação dos moradores nas atividades de educação oceânica promovidas durante a pesquisa.
O trabalho é assinado pelo jornalista Bruno José Machado Pirozi, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento da UFRJ, e pelo professor Vinícius Albano Araújo, docente da UFRJ no Nupem – Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento. Também são autoras do estudo as pesquisadoras Juliana Loureiro Almeida Campos e Amanda Soares Miranda.

Para Vinícius Albano Araújo, compreender como as pessoas se informam é um passo fundamental para aumentar a eficiência das ações desenvolvidas pelo poder público e por instituições da sociedade.
“Uma campanha só alcança seu objetivo quando a informação chega às pessoas da maneira correta. A pesquisa mostra que conhecer os hábitos de comunicação de cada comunidade permite construir estratégias mais eficientes, aumentando a participação da população e fortalecendo ações voltadas à educação, ao meio ambiente e à cidadania”.
Bruno Pirozi explica que a pesquisa nasceu da necessidade de aproximar a ciência da realidade vivida pelos moradores de Rio das Ostras.
“Queríamos entender como as pessoas realmente recebem as informações no dia a dia. Descobrimos que as redes sociais são fundamentais, mas a televisão continua ocupando um espaço muito importante na rotina da população. Também percebemos que a comunicação ganha muito mais força quando dialoga com a realidade local e envolve lideranças comunitárias, que conhecem de perto as necessidades de cada território”.
Além de mapear os hábitos de consumo de informação, os pesquisadores colocaram em prática um plano de comunicação para divulgar oficinas do Projeto Iurukuá de Educação Oceânica e Conservação das Tartarugas Marinhas. A experiência permitiu avaliar quais estratégias realmente despertavam o interesse da população e incentivavam a participação nas atividades.
Segundo o estudo, outro fator influencia diretamente o engajamento da comunidade. Em localidades onde os moradores demonstravam maior sentimento de pertencimento e onde havia participação ativa das lideranças locais, a adesão às ações ambientais foi significativamente maior.
Na avaliação dos autores, os resultados podem contribuir para o planejamento de campanhas educativas, ações de saúde, projetos ambientais e outras iniciativas de interesse público desenvolvidas por órgãos governamentais, escolas, universidades e organizações da sociedade civil.
FONTE: a href=”https://www.rjnewsnoticias.com.br/noticia/23458/televisao-e-redes-sociais-lideram-consumo-de-informacao-em-rio-das-ostras-aponta-pesquisa.html” target=”_blank” rel=”nofollow noopener”>RJNEWS


